Um encontro inesquecível entre arte, solidariedade e propósito em prol das crianças congolesas refugiadas no Burundi
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Coluna Arleandra Ricardo: CHARITYART USA 2024 — A ARTE PELA VIDA
Um encontro inesquecível entre arte, solidariedade e propósito em prol das crianças congolesas refugiadas no Burundi
A segunda edição da CharityArt USA transformou o último dia 22 de novembro em um marco de solidariedade, criatividade e união comunitária. Realizado na sede do Approach International Student Center, em Marlborough, Massachusetts, o evento reuniu artistas, estudantes, crianças, comunicadores, lideranças, voluntários e visitantes de diversas nacionalidades em uma tarde vibrante de arte e significado.
No dia 22 de novembro tivemos a obra de contar na abertura do CharityArt a presença de muitos convidados ilustres, artistas, músicos, estudantes e profissionais de diversas áreas que doaram seu tempo por uma causa.

O Senador Jaime Eldridge esteve presente na abertura oficial e sua participação, ele destacou a força da comunidade imigrante, elogiou a iniciativa da ApproachUSA Foundation e afirmou sua admiração pelos brasileiros e latino-americanos, declarando, inclusive, algumas palavras em português e espanhol. Sua presença emocionou o público e reforçou a importância de projetos que unem arte e responsabilidade humanitária.

A música embalou o público com apresentações diversificadas, do jazz ao MPB, passando pelo gospel e pelo rock, com destaque para os jovens músicos da Stoughton Public Schools, liderados pelo professor Alex Wang. A abertura com “Wave”, de Tom Jobim, criou o clima perfeito para celebrar a arte como linguagem universal.
A CharityArt ofereceu oficinas e experiências formativas para todas as idades. Artistas visuais e comunicadores ministraram aulas que encantaram crianças e adultos. Pintura, desenho, expressão, oratória, criatividade e técnica se misturaram, transformando o evento em um laboratório de ideias e conexões.
As obras doadas pelos artistas participantes agora seguem para o leilão online. O prazo será de 30 dias e cada lance contribui diretamente para o futuro das crianças refugiadas. A expectativa é arrecadar 80 mil dólares, valor destinado à construção da primeira unidade da Approach Academy no continente africano. A iniciativa faz parte de uma jornada que começou em fevereiro, quando a ApproachUSA Foundation financiou o resgate de 375 crianças da Fraternidade Sem Fronteiras que estavam em Bukavu, na República Democrática do Congo, e, com apoio da Navy SEALs, foram levadas com segurança ao Burundi. Desde então, a fundação também garantiu o primeiro ano letivo dessas crianças, investindo mais de 100 mil dólares em educação.
OS ARTISTAS FALAM

Maria Duran
Maria destaca que participar da CharityArt foi um momento de conexão profunda entre propósito e criação. Ela afirma que a obra “Diálogo Interior” nasce do desejo de provocar sensações e convidar o público a olhar para dentro. Para ela, doar essa peça foi uma forma de transformar expressão em impacto real. Maria incentiva o público a acessar o leilão e lembra que cada obra adquirida representa abrigo, alimentação e educação para crianças que reconstruíram a vida no Burundi.
A obra de Maria Duran nasce de um lugar onde a sensibilidade encontra a escuta profunda. Para ela, a arte não é resposta: é percurso, abertura, toque interior. “Minha arte nasce da escuta profunda e transforma emoção em gesto, textura e cor”, afirma a artista, que entende a criação como um convite ao sentir. Suas telas funcionam como portas sensoriais, despertando memórias, intuições e movimentos internos no observador. Maria acredita que a força da arte está justamente no que ela não explica, mas revela: “Cada obra é uma experiência sensorial, não uma resposta pronta.” Assim, sua proposta é simples e poderosa — pintar para que o outro se encontre. Como ela mesma define: “Pinto para que o observador encontre o que vive dentro dele.”


Diego Cruz
Para Diego, a CharityArt foi um encontro que uniu técnica, essência e missão. Sua obra “A Justificativa” integra uma série voltada para o amor e para a importância de falar do que une as pessoas. Ele descreve o evento como um movimento de beleza e propósito e reforça que o leilão é uma oportunidade de adquirir arte contemporânea com significado e relevância social.
A pintura de Diego Cruz é uma expressão direta da alma: intensa, vibrante e profundamente comprometida com o amor. Em suas palavras, “minha pintura é a voz da alma: intensa, colorida e comprometida com o amor”. Sua arte fala do que nos une, daquilo que permanece quando as formas e os contornos se dissolvem. Diego reconhece na cor uma ferramenta de consciência e cura, algo capaz de mudar atmosferas e alcançar o coração. “A arte transforma quando fala do que nos une”, explica, reforçando seu compromisso com uma estética que emociona e desperta. É dessa intenção que surge seu foco: usar o talento como instrumento de humanidade. “Trabalho para que minhas cores despertem consciência e humanidade”, resume o artista, cujo trabalho é ao mesmo tempo manifesto e experiência.


Fábia
Fábia conduziu um workshop de oratória que marcou profundamente o público. Ela descreve a CharityArt como um ambiente onde comunicação, arte e humanidade se entrelaçam. Para ela, participar foi reafirmar que a voz também é ferramenta de transformação social. Fábia convida todos a visitarem o leilão e lembra que cada lance é uma semente que se transforma em educação, proteção e futuro para as crianças resgatadas.
Para Fábia, comunicação é destino. Sua trajetória reúne oratória, propósito e a convicção de que a voz tem poder de transformar vidas. “A comunicação é ferramenta de destino: transforma primeiro por dentro, depois por fora”, afirma, revelando sua visão de impacto. Sua prática combina técnica com presença. Concluindo, afinal, falar não é apenas transmitir palavras, mas ocupar simbolicamente um espaço que já pertence a cada um. “Oratória é presença, intenção e coragem para ocupar o espaço que já é seu”, defende, reforçando a importância da autenticidade. Fábia enxerga a voz como identidade e prosperidade, uma ponte entre quem somos e onde queremos chegar. Não por acaso, ela resume sua filosofia de forma precisa: “A voz é identidade, impacto e prosperidade quando usada com propósito.”



