A brasileira Camila Neves Klink, residente em Newark (New Jersey), passou o feriado de Ação de Graças atrás das grades do centro de detenção Delaney Hall, enquanto seu filho de apenas 1 ano aguardava notícias da mãe. Pelo quarto ano consecutivo, ela deveria celebrar a data na casa de sua melhor amiga — também madrinha da criança.
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Brasileira detido pelo ICE em NJ ficou dois dias sem banho e comeu comida “velha e nojenta”
A brasileira Camila Neves Klink, residente em Newark (New Jersey), passou o feriado de Ação de Graças atrás das grades do centro de detenção Delaney Hall, enquanto seu filho de apenas 1 ano aguardava notícias da mãe. Pelo quarto ano consecutivo, ela deveria celebrar a data na casa de sua melhor amiga — também madrinha da criança.
Em vez disso, passou o feriado comendo atum enlatado e sopa doada, sob forte vigilância e em meio a relatos de superlotação e condições degradantes.
A detenção ocorreu durante uma operação de agentes federais em um depósito de distribuição de frutos do mar no bairro Ironbound, em Newark. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), cerca de duas dezenas de agentes, usando capuzes, máscaras e coletes à prova de balas, cumpriam um mandado de busca em uma investigação criminal.
Foi a segunda ação do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) no mesmo local neste ano.
“Por favor, cuide do meu filho”
A melhor amiga da brasileira — que pediu anonimato por segurança — contou ao TAPinto Newark que recebeu um áudio de Camila às 9h19 da manhã, com uma frase desesperada: “ICE is here. I’m going to be detained. Please take care of my son.” Minutos depois, o telefone da detida parou de responder.
A amiga relatou medo de sair para buscar o menino, mas conseguiu articular com o pai da criança os cuidados imediatos. Ethan, de apenas 1 ano de idade, passou o feriado e o fim de semana sob sua guarda. “Ela está chorando o tempo todo, perguntando quem está cuidando do filho, dizendo ‘não posso ser deportada’. Desde quarta-feira, ela me liga duas ou três vezes por dia. Está sendo muito difícil”, contou a amiga.
Além de pedir notícias do bebê, Camila solicita ajuda para conseguir um advogado e comida mínima.
Relatos de superlotação e condições degradantes em Delaney Hall
As denúncias de maus-tratos no centro de detenção surgem em meio a um cenário já conhecido por organizações pró-imigrantes. A amiga relatou que Camila ficou dois dias sem poder tomar banho e que a alimentação fornecida seria insuficiente e de má qualidade. “Eles dão comida velha, nojenta. Ela só conseguiu tomar banho dois dias depois de chegar ao Delaney Hall”, afirmou.
Segundo Movimiento Cosecha e New Labor, que estão auxiliando familiares dos detidos, Delaney Hall está operando acima de sua capacidade de mil pessoas, recebendo detidos de Nova Jersey, Nova York, Massachusetts e Pensilvânia. “Não há pessoal suficiente. As refeições atrasam, as visitas atrasam. As famílias ficam horas na fila, no frio”, explicou Haydi Torres, da Cosecha.
Ela afirma que o centro não segue seus próprios protocolos, inclusive dificultando entregas e visitas. “É muito frustrante. As famílias chegam, tentam entregar documentos, e são mandadas embora porque ‘não há ninguém no escritório’”, disse.
Apesar de pedidos, ICE e DHS não responderam às acusações de superlotação e negligência.
Deportações rápidas e sensação de desaparecimento
Segundo Torres, muitas mulheres detidas optam por assinar ordens de deportação voluntária, temendo permanecer semanas ou meses em condições degradantes à espera de audiências de fiança. “É como se estivessem desaparecendo pessoas”, afirmou. “Tem mães ligando para nós dizendo: ‘não sei onde meu filho está, não tenho notícias’.”
Alguns poucos liberados após triagem tinham “Deferred Action”, um status temporário que protege de deportação imediata. A maioria, porém, permanece presa ou à espera de transferência para outro centro.
Caso de Camila é mais grave: filho pequeno a espera dela
Para Camila, deportação não é uma opção. Seu filho de 1 ano a aguarda em Newark. “Ela veio com visto, não tem antecedentes criminais, paga impostos, é uma pessoa correta”, reforçou a amiga. A família tenta agora reunir recursos para contratar um advogado particular, já que o atendimento jurídico gratuito — apesar de essencial — está sobrecarregado pela demanda crescente.
Uma campanha online foi criada para ajudar nos custos. Comunidade teme novas operações Organizações comunitárias temem que as ações do ICE continuem. “Estamos muito preocupados. Só este ano, mais de 150 trabalhadores em Nova Jersey foram detidos em seus locais de trabalho”, disse Torres. “Tudo indica que teremos mais operações. E isso é realmente assustador.”




