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Revista Brazilian Times # 86
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Documentos revelam que brasileira detida pelo ICE enfrenta histórico de disputa de custódia com família de porta-voz da Casa Branca

A detenção da brasileira Bruna Ferreira, de 33 anos, em Massachusetts, reacendeu um turbulento histórico familiar que se estende por quase uma década — e envolve diretamente a família da atual secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. A informação foi divulgada pela rádio pública WBUR.

A detenção da brasileira Bruna Ferreira, de 33 anos, em Massachusetts, reacendeu um turbulento histórico familiar que se estende por quase uma década — e envolve diretamente a família da atual secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. A informação foi divulgada pela rádio pública WBUR.

Ferreira, mãe de um menino de 11 anos, foi presa no mês passado pelo ICE e levada para um centro de detenção na Luisiana, a centenas de quilômetros de onde seu filho vive, em New Hampshire, sob a guarda do pai, Michael Leavitt, irmão da porta-voz do presidente Donald Trump.

Os documentos mostram que Ferreira e Michael Leavitt viveram anos de conflitos judiciais após o nascimento do filho, em 2014. Segundo WBUR, a relação, inicialmente tranquila, se deteriorou em 2015, quando Leavitt entrou com uma queixa de custódia na Justiça de família de New Hampshire e afirmou à polícia que uma “imigrante ilegal do Brasil” havia fugido com seu filho e seu carro.

No processo, Leavitt acusou Ferreira de ter levado a criança no meio da noite e ameaçado viajar com o menino para o Brasil. Ferreira negou as alegações e afirmou que o ex havia ameaçado acionar o ICE para deportá-la.

Um juiz concedeu a Leavitt a guarda temporária naquele ano, mas os conflitos continuaram até ambos firmarem um acordo de convivência mútua, no qual Leavitt também se comprometia a pagar pensão.

O clima voltou a piorar em 2020, quando Ferreira pediu guarda total alegando que Leavitt acumulava cerca de US$ 70 mil em pagamentos atrasados. A Justiça decidiu manter a criança com o pai durante a semana escolar, com visitas à mãe três fins de semana por mês.

Em 2022, uma nova denúncia complicou a situação: policiais relataram que a casa de Ferreira estava em condição considerada “deplorável”, encaminhando um alerta sobre suspeita de negligência infantil ao Departamento de Crianças e Famílias.

Versões contraditórias sobre status migratório

A administração Trump alega que Ferreira ultrapassou o prazo de permanência de seu visto, supostamente vencido em 1999, e que ela teria um antecedente por agressão. O advogado de Ferreira, Todd Pomerleau, rebateu ambas as acusações, afirmando que sua cliente estava legalmente no país enquanto buscava um caminho de regularização via DACA e que não possui antecedentes criminais.

O registro policial citado pelos oficiais remonta a quando Ferreira tinha apenas 16 anos, no qual ela foi convocada ao tribunal por agressão em um estacionamento de Dunkin’ Donuts — episódio que, segundo sua defesa, não resultou em condenação.

Porta-voz da Casa Branca entra na narrativa

Dado o papel de Karoline Leavitt como porta-voz do governo Trump — que intensificou ações de deportação — circularam especulações de que ela teria influenciado a prisão da ex-cunhada. A família, no entanto, nega.

Michael Leavitt afirmou anteriormente que sua irmã não teve qualquer envolvimento na ordem de detenção. As duas mulheres, segundo reportagens, não se falam há anos.

Família brasileira resiste à deportação

A irmã de Bruna, Graziela dos Santos Rodrigues, disse que conversou com Michael Leavitt e o pai dele, que teriam sugerido que o melhor caminho seria a autodeportação. A brasileira, porém, insiste em lutar para manter Bruna nos Estados Unidos.

Rodrigues também afirmou que tentou contato com Karoline Leavitt, mas não obteve retorno.

Enquanto isso, Ferreira segue detida na Luisiana, longe do filho e no centro de uma disputa que envolve imigração, política e um passado familiar marcado por conflitos prolongados.

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