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Revista Brazilian Times # 86
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Polêmica em Dedham: diretor do ICE exige remoção de presépio que denuncia políticas imigratórias

O diretor interino do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), Todd Lyons, classificou o gesto como “absolutamente repugnante” e exigiu que a montagem fosse retirada.

Da redação

Um presépio montado na Paróquia de St. Susanna, em Dedham (Massachusetts), desencadeou uma disputa pública entre líderes religiosos e autoridades federais após exibir uma cena de Natal criticando as políticas de imigração dos Estados Unidos. No centro do presépio, onde tradicionalmente ficam Jesus, Maria e José, a igreja colocou um cartaz com a frase “ICE was here”, sugerindo que a Sagrada Família teria sido detida por agentes de imigração. Abaixo, um segundo aviso afirma: “A Sagrada Família está segura em nossa Igreja… Se você vir o ICE, ligue para LUCE”.

O diretor interino do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), Todd Lyons, classificou o gesto como “absolutamente repugnante” e exigiu que a montagem fosse retirada. Em declaração à Fox News Digital, ele disse que o gesto do pároco, o reverendo Stephen Josoma, alimenta “uma narrativa perigosa responsável por um aumento de mais de 1.150% em agressões contra agentes de imigração”.

O presépio foi criado após Josoma ter se reunido com famílias refugiadas atendidas pela paróquia. Segundo ele, o objetivo era lembrar que a história de Natal envolve uma família deslocada, obrigada a fugir. “Essas pessoas carregam muitas cicatrizes. Algumas físicas, mas a maioria emocionais”, disse em entrevista à WBUR. “Muitas viram entes queridos serem mortos diante de seus olhos”, completou.

A Arquidiocese de Boston rapidamente se posicionou contra a atitude. O porta-voz Terry Donilon classificou o presépio como uma peça de “mensagem política divisiva” e afirmou que St. Susanna não solicitou nem recebeu permissão para expor a montagem. Ele lembrou que as normas da Igreja proíbem o uso de objetos sagrados — como imagens do Menino Jesus — para fins que não sejam “a devoção do povo de Deus”.

A Arquidiocese também mencionou diretrizes da Conferência dos Bispos dos EUA (USCCB), que defende tratamento humano a imigrantes e reformas no sistema imigratório. “A dignidade humana e a segurança nacional não estão em conflito”, declarou a USCCB.

A polêmica chegou ao Departamento de Segurança Interna (DHS) e a porta-voz Tricia McLaughlin disse que o presépio é “ofensivo aos cristãos” e que a alegação de que o ICE separa famílias “NUNCA acontece”. “Caiam na real e procurem ajuda”, afirmou.

Os dados mais recentes, porém, mostram um cenário mais complexo. Um relatório da ProPublica, divulgado em 24 de novembro, aponta que cerca de 600 crianças imigrantes foram enviadas para abrigos do governo desde o início do ano — o maior número em uma década. Entre esses casos está o de um menino brasileiro de 13 anos, morador de Everett, que foi detido pelo ICE e enviado para uma instalação na Virgínia. A agência alegou que ele portava uma faca e um revólver na escola.

Durante uma coletiva de imprensa em outubro, o prefeito de Everett, Carlo DeMaria, confirmou apenas a posse da faca e negou a presença da arma de fogo. A polícia local estava prestes a liberar o adolescente para a mãe quando o ICE, acionado pelo banco de dados de impressões digitais, assumiu a custódia e o transferiu para Burlington.

O advogado Andrew Lattarulo afirmou que o menino deve retornar ao Brasil sob os cuidados de tios, enquanto seus pais continuam o processo de pedido de asilo nos Estados Unidos.

O reverendo Josoma não respondeu às solicitações de comentário feitas pela imprensa. Entretanto, para muitos na comunidade, o presépio de Dedham reacendeu um debate mais amplo sobre imigração, religiosidade e os limites entre fé e posicionamento político nos tempos de Natal.

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