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Revista Brazilian Times # 86
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Apostas estaduais: R$ 154 milhões no 3º trimestre de 2025

As apostas estaduais ganham força após a regularização do setor de igaming no Brasil, gerando renda e fortalecendo o setor de iGaming]

Foto: Jonas Leupe/iGaming

O setor de iGaming já começa a ser lucrativo para os estados brasileiros. No terceiro trimestre de 2025, o país registrou um volume de arrecadação estadual aproximado de R$ 154 milhões via apostas com licença estadual, de acordo com dados do site Aposta Legal.

Os números ganham a atenção da opinião pública, atraindo defensores e críticos dos jogos de azar. Os debates reacendem interesse nas melhores plataformas de cassinos online, com efeitos indiretos no setor regulado. Jogue com responsabilidade.

O que explica a arrecadação e sua sazonalidade

A explicação para a arrecadação estadual das apostas tem múltiplas camadas. Primeiro, há o ambiente regulatório: estados que autorizam apostas de quota-fixa ou loterias mais modernas se tornaram pioneiras ao captar esse tipo de renda.

Curiosamente, a quantidade de casas de apostas estaduais ainda é muito pequena no Brasil. De acordo com o levantamento, casas de apostas licenciadas apenas por loterias estaduais responderam por menos de 1% dos acessos do setor de apostas online no 3.º tri.

De toda forma, o valor reforça como as apostas têm enchido os cofres públicos: apenas de janeiro a setembro de 2025, a União arrecadou R$ 6,85 bilhões com o setor, segundo informações da Máquina do Esporte.

Proteção ao consumidor e integridade: riscos e controles

Com o crescimento robusto do mercado de apostas, emergem preocupações relevantes. Um dos principais riscos é o da manipulação de resultados ou “match-fixing”, sobretudo em apostas esportivas menos visíveis. Além disso, a exposição de jovens a campanhas publicitárias agressivas, bem como o endividamento de famílias com renda mais baixa, são alvos críticos de especialistas.

Em 2025, o Banco Central do Brasil estimou que entre R$ 20 e R$ 30 bilhões fossem destinados mensalmente a apostas online, um volume que acendeu alertas sobre o impacto no orçamento doméstico.

Cassinos no Senado: o que pode mudar ainda em 2025

No âmbito legislativo, ganha destaque o projeto de lei que visa autorizar cassinos em resorts integrados no Brasil e que se aproxima de votação no Senado. O texto do PL 2.234/2022 prevê a instalação de cassinos físicos em hotéis, centros de convenções e espaços de entretenimento, com limitação por estado e concessão pública.

As mudanças esperadas incluem:

  • A criação de licenças federais para cassinos, além das estaduais existentes para apostas, com um modelo de concessão que envolva complexos turísticos;
    A definição de alíquotas de imposto, taxa de licenciamento e participação das concessionárias no recolhimento;
    A delimitação de papéis entre governo federal (normatização e fiscalização) e estados (zonação, infraestrutura, arrecadação residual);
    Possível impacto na estrutura das plataformas de apostas e na interação entre cassinos físicos e online.

Há expectativa de que, com o avanço desse debate, o setor de apostas como um todo — tanto os cassinos físicos quanto as plataformas online — ganhe novo impulso regulatório e fiscal. Vale destacar que o plenário do ­Senado Federal tem o projeto em pauta desde 8 de julho de 2025.

Como isso conversa com o mercado de apostas esportivas?

O mercado de apostas esportivas, já ativo e regulado por licença federal no Brasil, é parte integrante deste ecossistema. A legalização dos cassinos e o crescimento das apostas online elevam o ecossistema como um todo, inclusive plataformas criadas para apostas online. Isso significa que, além de licenciamento, haverá uma pressão maior por interconexão de sistemas, compartilhamento de dados e responsabilidades regulatórias entre apostas esportivas, cassinos físicos e plataformas digitais.

Além disso, o aumento da arrecadação com apostas (+R$ 3 bilhões à União até maio de 2025) mostra que o setor de apostas esportivas já está em trajetória de crescimento acelerado. O avanço regulatório dos cassinos pode impulsionar sinergias — e também desafios — para integridade, proteção ao jogador, supervisão conjunta e prevenções quanto à saúde mental.

KPIs para acompanhar no 4º trimestre: GGR, base ativa e fiscalização

Para o último trimestre de 2025, os principais indicadores a observar são:

  • GGR (Gross Gaming Revenue) versus o volume bruto de apostas (handle) — para entender margens e modelo de negócio;
    Base ativa de apostadores e número de contas verificadas, como métrica de crescimento real do setor;
    Taxa de fiscalização e infrações detectadas, incluindo casos de manipulação, fraude ou apostas ilegais;
    Arrecadação de impostos e taxas, tanto federais quanto estaduais — por exemplo, expansão esperada além dos R$ 6,85 bilhões de janeiro a setembro.
  • Prazos da tramitação legislativa da regulamentação dos cassinos, bem como o cronograma de concessões: se o PL for aprovado, será crucial acompanhar como serão estabelecidos os editais, licenças e requisitos de compliance.
    Nível de integração regulatória entre estados e União, especialmente em casos de apostas online interestaduais e de cassinos físicos em resorts.
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