Max corre como monstro, Lando leva título com regulamento debaixo do braço
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Lando é campeão!
Max corre como monstro, Lando leva título com regulamento debaixo do braço
A Fórmula 1 baixa as cortinas de mais uma temporada intensa, estratégica, cheia de genialidades e trapalhadas que lembram ao mundo por que esse esporte é uma mistura rara de velocidade, ciência e teimosia humana. O Brazilian Times, esteve presente em cada curva, cada pole improvável, cada estratégia que deu certo e, principalmente, nas que deram errado. Foi uma cobertura completa, persistente, incansável e movida pela mesma adrenalina que leva um carro aos 350 km/h.
Agora, a categoria entra em seu merecido período de hibernação. Motores silenciam, engenheiros conspiram e pilotos fingem relaxar enquanto estudam telemetria até na praia. No próximo ano, a Fórmula 1 virá com mudanças radicais, inaugurando um novo capítulo técnico e esportivo que pode embaralhar forças e reescrever hierarquias.
O campeão moral da temporada

Super Max. O apelido já virou profecia. Verstappen não compete, ele transcende. Enquanto o restante do grid lida com estratégias, atualizações, simulações de vento e reuniões intermináveis, o holandês simplesmente entra no carro e faz o impossível parecer trivial.
A Red Bull, generosa como uma “carroça” empoeirada na beira da estrada, entregou-lhe no início da temporada um equipamento que beirava o constrangimento técnico. Do outro lado, a McLaren exibia suas supermáquinas turbinadas, dignas de um laboratório aeroespacial. Ninguém teria a ousadia de imaginar que alguém poderia enfrentar esse contraste de engenharia no braço. Exceto Max.
Ele correu sozinho. Literalmente sozinho. Enquanto a equipe penava para entender o próprio pacote aerodinâmico, Verstappen pilotava como se a física fosse apenas uma recomendação opcional. No fim de agosto, estava 104 pontos atrás do líder Oscar Piastri, uma distância que, para qualquer ser humano, é sentença, é para jogar a toalha. Para Max, é só enredo.
A partir dali ele escalou a temporada como quem escala um prédio sem escada, sem corda e, por vezes, sem apoio institucional. Em Vegas, voou entre luzes e cassinos como se tivesse hackeado o sistema. Em Abu Dhabi, fez recital. Não guiou: deu aula.

E perdeu o título por…dois pontos. A ironia da Fórmula 1 às vezes tem senso de humor britânico, e dessa vez o campeão foi Lando Norris, talentoso, sim, mas dono de um carro que parecia fabricado sob encomenda pelos deuses da downforce.
Só que existe um detalhe: Max Verstappen venceu mais corridas do que o campeão Norris e mais do que Piastri. Foram 8 vitórias para Verstappen, contra 7 de Norris e 6 de Piastri. A matemática aponta um campeão. A pista apontou outro.
Max é o piloto que redefiniu o limite. Norris ergueu a taça, mas ergueu também a dúvida eterna: como alguém pode ser campeão vencendo menos que o “vice”? A resposta é simples: porque Verstappen não disputa títulos, disputa milagres estatísticos. E quase sempre os vence.
Norris leva a taça; Verstappen leva o respeito, e a sensação de que o verdadeiro campeão da velocidade não precisa de estatística, só de pista. 2025 termina com um aviso claro ao grid: seguraram Max por 2 pontos. Em 2026, os papayas podem virar abóbora.
Roberto Vieira
Jornalista e comentarista esportivo
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