Organizações de direitos humanos e grupos de advocacia de imigrantes têm dito que políticas mais duras de remoção podem resultar em rupturas familiares, desafios legais e riscos humanitários para pessoas com pedidos de asilo ou condições vulneráveis.
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Mais de 2,5 milhões de imigrantes deixaram os Estados Unidos desde janeiro, diz DHS
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, sigla em inglês) divulgou nesta quarta-feira (10) que mais de 2,5 milhões de pessoas sem documentação legal deixaram o país desde o início do ano, marco que autoridades chamam de feito histórico na política migratória norte-americana.
Segundo a pasta, dos mais de 2,5 milhões de imigrantes que saíram dos EUA desde 20 de janeiro de 2025, quando começou o segundo mandato do presidente Donald Trump, cerca de 605 mil foram deportados por autoridades federais. Outros 1,9 milhão teriam optado por deixar o país voluntariamente diante do endurecimento das ações de imigração.
A secretária do DHS, Kristi Noem, afirmou em comunicado que os números refletem o efeito de uma estratégia de pressão sobre a população indocumentada, que inclui políticas de fiscalização intensificada e incentivos para saída voluntária. Entre as ferramentas citadas pelas autoridades está o uso do aplicativo “CBP Home”, que oferece assistência logística, como passagens aéreas, e incentivos em dinheiro para incentivar a saída.
A divulgação dos dados ocorre em meio a um clima político acirrado em Washington, com defensores e críticos das políticas migratórias travando debates intensos no Congresso. Em audiência recente, democratas exigiram a renúncia da secretária Noem, acusando seu departamento de violar direitos humanos e violar ordens judiciais em práticas de detenção e remoção.
Republicanos, por sua vez, elogiaram os números e defenderam que a redução da presença de imigrantes sem status legal é um passo importante para reforçar a segurança das fronteiras e restaurar o controle sobre o sistema migratório.
No contexto dessas ações, o governo também assinou contratos significativos para reforçar as operações: um acordo de quase US$ 140 milhões para a aquisição de aeronaves que seriam usadas em voos de deportação faz parte do esforço para acelerar a remoção de imigrantes.
Analistas independentes alertam que a soma apresentada pelo DHS inclui tanto deportações formais quanto saídas auto-direcionadas, que podem ser desencadeadas por pressões indiretas ou incentivos que não refletem necessariamente uma decisão livre dos migrantes. Dados demográficos e pesquisas de instituições externas sugerem que tendências migratórias são complexas e podem não ser totalmente capturadas apenas por números de saída.
Organizações de direitos humanos e grupos de advocacia de imigrantes têm dito que políticas mais duras de remoção podem resultar em rupturas familiares, desafios legais e riscos humanitários para pessoas com pedidos de asilo ou condições vulneráveis. A forma como esses fluxos são contabilizados e suas consequências reais — além dos números brutos — seguem sendo objeto de debate público e acadêmico.
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