J,D. Vance atribui queda de preços à intensificação das deportações no governo Trump, mas economistas dizem que impacto da imigração sobre o mercado habitacional é limitado e indireto.
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Vice-presidente associa recuo nos aluguéis a política migratória; analistas apontam outros fatores
Da redação
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que a redução recente nos preços dos aluguéis em algumas regiões do país estaria ligada ao endurecimento das políticas de deportação adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. Em declarações públicas e postagens nas redes sociais, Vance celebrou a queda dos aluguéis médios por quatro meses consecutivos e atribuiu o movimento à saída de milhões de imigrantes indocumentados do território americano.
Segundo o vice-presidente, dados de agências federais indicariam que mais de 2 milhões de pessoas deixaram os EUA recentemente, seja por remoções conduzidas pelas autoridades migratórias, seja por saídas voluntárias. Na avaliação de Vance, a diminuição desse contingente teria reduzido a pressão sobre a demanda por moradias, refletindo-se nos preços cobrados no mercado de aluguel.
A leitura, no entanto, não encontra consenso entre especialistas. Economistas e analistas do setor imobiliário afirmam que a dinâmica dos aluguéis é influenciada por um conjunto amplo de fatores estruturais, sendo os principais a escassez de oferta de moradias, entraves regulatórios à construção e taxas de juros elevadas, que encarecem o financiamento e desestimulam novos empreendimentos residenciais.
Levantamentos e análises de checagem de dados indicam que a migração pode exercer pressão localizada sobre a demanda habitacional, especialmente em determinadas cidades ou regiões. Contudo, esse impacto tende a ser limitado e não é considerado determinante em escala nacional para explicar oscilações prolongadas nos preços dos aluguéis.
Críticos das declarações de Vance também ressaltam que variações recentes podem estar associadas a fatores sazonais e macroeconômicos, como ajustes típicos de fim de ano, desaceleração do consumo ou correções regionais do mercado, independentemente de políticas migratórias.
Além disso, economistas alertam para possíveis efeitos colaterais de longo prazo. A redução da população ativa — sobretudo em setores com forte presença de imigrantes, como a construção civil — pode comprometer a capacidade de ampliar a oferta de moradias. Menos trabalhadores, segundo esses especialistas, tendem a resultar em menos obras, o que pode manter ou até pressionar os preços para cima no futuro.
O debate expõe a divergência entre discurso político e análises técnicas sobre o mercado imobiliário, em um momento em que o custo da moradia segue como um dos principais desafios econômicos para milhões de famílias nos Estados Unidos.
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