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Revista Brazilian Times # 83
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Empresária brasileira é presa pelo ICE em Louisiana

Desde o início da Operação Catahoula Crunch, há cerca de três semanas, o movimento no Alliance Brazilian Supermarket, em Kenner (Louisiana), despencou significativamente. O estabelecimento, frequentado majoritariamente pela comunidade hispânica e brasileira, tem registrado queda acentuada nas vendas, reflexo do temor crescente diante do reforço das ações de fiscalização migratória na região.

Desde o início da Operação Catahoula Crunch, há cerca de três semanas, o movimento no Alliance Brazilian Supermarket, em Kenner (Louisiana), despencou significativamente. O estabelecimento, frequentado majoritariamente pela comunidade hispânica e brasileira, tem registrado queda acentuada nas vendas, reflexo do temor crescente diante do reforço das ações de fiscalização migratória na região.

Atualmente, apenas alguns funcionários permanecem no local para repor mercadorias, preparar produtos de padaria e atender os poucos clientes que ainda circulam pela loja. O cenário se agravou após a prisão de uma das proprietárias do mercado, a brasileira Cremilsa Caetano Gonçalves, detida por agentes do da Patrulha de Fronteiras e transferida para custódia do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês).

Cremilsa, de 47 anos, é natural de São Luis de Montes Belos (Minas Gerais) e mãe de três filhos. Ela está detida no Richwood Correctional Facility, na cidade de Monroe, no norte da Louisiana, a mais de quatro horas de distância de New Orleans. Segundo familiares, ela foi presa por agentes de imigração enquanto retornava para casa após o trabalho.

De acordo com a família, os três filhos da empresária viajaram para o norte do estado para vê-la pela primeira vez desde a detenção. Embora Cremilsa tenha autorização para realizar chamadas de vídeo diárias de cerca de 20 minutos, os familiares relatam preocupação com a limitação do contato, sobretudo em razão de seu estado de saúde.

Cremilsa está em remissão de câncer de mama e necessita de medicação diária, seguindo uma rotina médica rigorosa. “Se ela não seguir esse tratamento corretamente, existe o risco de a doença retornar”, afirmou o familiar.

Até o momento, a Patrulha de Fronteiras não informou oficialmente os motivos da detenção, e não há confirmação pública de antecedentes criminais. No entanto, consta no sistema automatizado do Departamento de Segurança Interna (DHS) uma ordem de deportação emitida em 2022 em nome da empresária. A família afirma desconhecer qualquer violação imigratória ou a existência dessa ordem.

Em geral, esse tipo de medida é determinado por um juiz de imigração em casos que envolvem condenações criminais, processos pendentes ou infrações administrativas, como permanência além do prazo de visto ou ausência em audiências imigratórias. Nem a Patrulha de Fronteiras nem o ICE esclareceram por que Cremilsa possui essa ordem em seu histórico.

Familiares sustentam que ela tem autorização para trabalhar e residir nos Estados Unidos. “Ela tem permissão para trabalhar aqui, tem o direito de viver aqui, mas mesmo assim foi detida. Somos imigrantes e sempre tentamos seguir todas as regras”, disse o familiar.

Em comunicado divulgado em 11 de dezembro, o DHS informou que a operação resultou na prisão de 250 imigrantes com antecedentes criminais na região de New Orleans, mas detalhou o histórico criminal de apenas 23 deles.

O senador Bill Cassidy (Republicano–Louisiana) comentou a operação, destacando que ações focadas em criminosos tendem a ter maior apoio público. “Se o foco for criminosos, haverá respaldo. Mas, se for além disso, as pessoas vão questionar por que isso está sendo feito”, afirmou.

O caso de Cremilsa Caetano tem gerado apreensão entre comerciantes e moradores da região, ampliando o clima de insegurança entre comunidades imigrantes afetadas pelas recentes operações federais.

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