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Revista Brazilian Times # 83
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Padre em Maryland assume tutela de 26 crianças diante do avanço das deportações nos EUA

O avanço das operações de imigração durante o novo mandato do presidente Donald Trump levou dezenas de famílias a adotarem medidas emergenciais para proteger seus filhos. Em meio a esse cenário, o padre Vidal Rivas, da Igreja Episcopal de São Mateus, assumiu a tutela temporária de 26 crianças cujos pais temem ser detidos ou deportados a qualquer momento.

O avanço das operações de imigração durante o novo mandato do presidente Donald Trump levou dezenas de famílias a adotarem medidas emergenciais para proteger seus filhos. Em meio a esse cenário, o padre Vidal Rivas, da Igreja Episcopal de São Mateus, assumiu a tutela temporária de 26 crianças cujos pais temem ser detidos ou deportados a qualquer momento.

A iniciativa faz parte do chamado plano de preparação familiar, estratégia cada vez mais comum entre imigrantes sem documentos ou com status migratório misto. O objetivo é simples: garantir que as crianças tenham alguém legalmente responsável por elas caso os pais sejam presos durante as operações do ICE.

Os dados recentes mostram a dimensão da crise. O ICE mantém hoje mais de 65 mil pessoas sob custódia, o maior número registrado desde a criação da agência, em 2003. Além disso, mais de 400 mil imigrantes já foram deportados apenas este ano. A pressão é ainda maior porque 5,9 milhões de crianças nos EUA têm ao menos um dos pais sem documentação.

Em regiões densamente povoadas por imigrantes, como Hyattsville — onde mais de 40% da população é latina — o clima é de medo permanente. “As pessoas vivem em estado de terror”, disse o padre Rivas em entrevista recente. “Elas têm medo de sair de casa e até de vir ao templo.”

A lei de Maryland permite que pais designem um tutor provisório por meio de documento assinado, válido por até seis meses. Esse tutor pode: autorizar atendimento médico, matricular as crianças na escola, assumir responsabilidades diárias, e até providenciar viagens ao país de origem para reencontros familiares, se necessário.

Os pais, no entanto, não perdem a guarda legal e podem revogar a designação a qualquer momento.

Rivas, imigrante salvadorenho que chegou aos Estados Unidos em 1998, passou a ser procurado por dezenas de famílias latinas que veem nele uma figura de confiança. As crianças sob sua responsabilidade têm entre 1 e 17 anos, e cada caso exige organização, recursos e apoio emocional.

Impactos emocionais e a luta para evitar separações

Entre as famílias atendidas, muitas relatam o medo de que seus filhos acabem em abrigos do governo caso sejam deportadas de forma repentina. Uma mãe salvadorenha contou que teme especialmente pelo bem-estar da filha autista: “Não saber com quem ela vai ficar seria um pesadelo. O padre representa segurança.”

O padre afirma que sua decisão é um ato de fé e solidariedade. “É uma responsabilidade enorme, capaz de transformar totalmente minha vida e a da minha família”, declarou. “Mas é o que precisa ser feito.”

Reação de líderes religiosos

A iniciativa de Rivas ocorre num momento em que diversas organizações religiosas têm criticado as deportações em massa. Em novembro, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA afirmou que as operações estão provocando separações traumáticas, apelando por políticas que conciliem segurança e dignidade humana.

Enquanto o governo intensifica detenções, amplia operações e revisa vistos de forma mais rigorosa, iniciativas como a do padre Rivas tornam-se essenciais para prevenir que crianças fiquem desamparadas. Seu trabalho, hoje reconhecido por grupos de imigrantes e organizações comunitárias, expõe a face humana de uma política migratória cada vez mais severa.

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