O chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, Greg Bovino, voltou a Chicago (Illinois) nesta semana com a retomada de operações federais de imigração na região, semanas após ele e centenas de agentes deixarem a cidade no início do inverno. Autoridades e organizações de defesa de imigrantes afirmam que a presença dos agentes tem provocado medo e tensão em comunidades majoritariamente latinas.
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Chefe da Patrulha de Fronteira retorna a Chicago e retoma operações federais de imigração
O chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, Greg Bovino, voltou a Chicago (Illinois) nesta semana com a retomada de operações federais de imigração na região, semanas após ele e centenas de agentes deixarem a cidade no início do inverno. Autoridades e organizações de defesa de imigrantes afirmam que a presença dos agentes tem provocado medo e tensão em comunidades majoritariamente latinas.
Autoridades de Illinois confirmaram o retorno de um grande contingente de agentes federais. O deputado federal Jesús “Chuy” García declarou que as operações estão “aterrorizando nossa comunidade”. Segundo ele, em um período que deveria ser de tranquilidade para as famílias, as ações federais estariam promovendo separações familiares, pânico e intimidação de trabalhadores. García citou reportagens investigativas que apontam que as operações do ICE têm atingido pessoas sem histórico criminal.
Equipes de resposta rápida locais informaram que agentes do ICE foram vistos na manhã de terça-feira no bairro de Little Village, em Chicago, circulando em uma caravana com ao menos sete veículos e abordando pessoas em becos. O Departamento de Segurança Interna (DHS) não informou quantas prisões foram realizadas. A Illinois Coalition for Immigrant and Refugee Rights relatou que moradores de Cicero, Little Village, Brighton Park e Back of the Yards foram detidos ao longo do dia.
Vídeos divulgados nas redes sociais também mostram Greg Bovino novamente em Chicago. Ele havia deixado a cidade para comandar operações na Carolina do Norte e em Nova Orleans. Bovino é um dos principais responsáveis pela chamada “Operation Midway Blitz”, iniciada em setembro, marcada por ações agressivas que incluíram o uso de gás lacrimogêneo, balas de pimenta e outros dispositivos contra moradores.
Em novembro, no contexto de um processo judicial que questiona o uso de força nessas operações, um juiz federal concluiu que Bovino e outros agentes mentiram sobre a ameaça representada por manifestantes e sobre sua própria conduta nas ruas de Chicago.
O governador de Illinois, JB Pritzker, confirmou o retorno de Bovino e afirmou que o governo estadual não recebeu aviso prévio sobre o envio de veículos descaracterizados a bairros residenciais. “Eles chamam de fiscalização, nós chamamos de assédio”, disse o governador, incentivando a população a registrar em vídeo as ações dos agentes e divulgá-las nas redes sociais.
Apesar da redução aparente das operações nas últimas semanas, autoridades federais afirmam que a ação continua ativa. Em nota, Tricia McLaughlin, porta-voz do DHS, declarou que a “Operation Midway Blitz” permanece em andamento e alegou que a iniciativa tem como objetivo reduzir a criminalidade e remover “criminosos perigosos”. No entanto, dados publicados recentemente pelo Chicago Tribune indicam que, entre 614 pessoas presas na região durante a operação, apenas 16 apresentavam histórico criminal considerado de alto risco à segurança pública.
As novas ações reacendem o debate sobre políticas de cidade santuário e o impacto das operações federais sobre comunidades de imigrantes, especialmente em um contexto de críticas sobre o alcance, os métodos e os alvos das fiscalizações conduzidas pelo ICE e pela Patrulha de Fronteira.
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