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Revista Brazilian Times # 86
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Assessor de Trump usa especial de Natal para atacar imigrantes

Um comentário feito pelo assessor da Casa Branca Stephen Miller, um dos principais arquitetos da política de deportações em massa do governo Donald Trump, provocou forte reação e acusações de racismo nas redes sociais e entre especialistas em política, história e direitos civis. A polêmica começou após Miller usar um clássico especial de Natal da televisão americana como pretexto para atacar a imigração.

Um comentário feito pelo assessor da Casa Branca Stephen Miller, um dos principais arquitetos da política de deportações em massa do governo Donald Trump, provocou forte reação e acusações de racismo nas redes sociais e entre especialistas em política, história e direitos civis. A polêmica começou após Miller usar um clássico especial de Natal da televisão americana como pretexto para atacar a imigração.

Em uma publicação na rede X, Miller contou que havia assistido com os filhos ao especial “Christmas with The Martins and The Sinatras”, exibido originalmente em 1967 e estrelado por Dean Martin e Frank Sinatra. Logo em seguida, o assessor transformou a lembrança natalina em um ataque político. “Imagine assistir a isso e achar que a América precisava de infinitos imigrantes do terceiro mundo”, escreveu.

A declaração gerou indignação imediata. A repórter de política da revista Rolling Stone, Nikki McCann Ramírez, rebateu lembrando que tanto Dean Martin quanto Frank Sinatra eram filhos de imigrantes italianos. “Dean Martin nasceu Dino Paul Crocetti e adotou um nome artístico por causa de xenófobos sem cérebro como Stephen [Miller]”, escreveu. “Sinatra também era filho de imigrantes italianos. Imagine assistir a eles e achar que os imigrantes não construíram a cultura que você idolatra hoje.”

A advogada de direitos civis Sherrilyn Ifill reforçou o argumento em uma publicação na rede Bluesky, destacando as origens familiares dos artistas. “Imagine assistir a Sinatra, filho de pais nascidos em Gênova e na Sicília, e a Martin, filho de imigrantes italianos, e fazer uma cruzada contra o valor dos filhos de imigrantes para os Estados Unidos”, escreveu.

O jornalista e autor Jeff Yang acrescentou contexto histórico à controvérsia, lembrando que imigrantes italianos enfrentaram, no início e meados do século 20, estigmas semelhantes aos hoje direcionados a latino-americanos. Yang compartilhou caricaturas antigas com representações racistas de italianos e afirmou que, à época, eles eram vistos como uma “classe geneticamente inferior e criminosa” — discurso semelhante ao adotado atualmente por setores anti-imigração.

Yang também destacou a trajetória da mãe de Frank Sinatra, Dolly Sinatra, descrita como uma figura politicamente ativa: ela teria administrado uma clínica clandestina de aborto, lutado pelo sufrágio feminino e atuado como organizadora influente do Partido Democrata.

O historiador de Princeton Kevin Kruse divulgou a análise de Yang e classificou Miller como “um racista horrível — no sentido de que ele sequer é bom em ser racista”, ao demonstrar desconhecimento da história das figuras culturais que citou.

Outras reações vieram em tom ainda mais duro. Tim Wise, pesquisador sênior do African American Policy Forum, comentou que “o único lado positivo de tudo isso é que um dia seus filhos vão desprezá-lo tanto quanto grande parte da América já despreza”. Já o produtor de cinema Franklin Leonard foi direto: “Dean Martin e Frank Sinatra odiariam Stephen Miller e sua política”.

O episódio reacendeu o debate sobre retórica anti-imigração nos Estados Unidos e expôs, mais uma vez, a contradição entre o discurso político atual e a própria história cultural do país, construída em grande parte por filhos e netos de imigrantes.

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