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Revista Brazilian Times # 86
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Coluna SporTotal by Roberto Vieira

Que em 2026 essa lógica simples volte a prevalecer. Que não se tente reescrever placares com discursos, nem justificar erros com interpretações elásticas

A temporada vai começar!

Como já diria a banda mineira Skank, em um de seus versos mais lúcidos e atemporais: “bola na trave não altera o placar”.

No futebol, e na vida esportiva, intenção não vale ponto, pressão não vira gol e narrativa não muda resultado. O que decide campeonato é a bola na rede, o lance validado, a regra aplicada corretamente. Todo o resto é ruído, desculpa ou conveniência.

Que em 2026 essa lógica simples volte a prevalecer. Que não se tente reescrever placares com discursos, nem justificar erros com interpretações elásticas. Futebol se decide no campo, no placar e na justiça do jogo. O resto é música, boa para cantar, péssima para apitar.

A temporada vai começar. Depois das férias de fim de ano, a bola volta a rolar pelos estaduais neste fim de semana e, com ela, ressurgem velhas perguntas que o futebol brasileiro insiste em empurrar para debaixo do tapete. Clubes se reforçam, dirigentes prometem planejamento, técnicos falam em ideias novas. O roteiro é conhecido. O problema é que o desfecho, quase sempre, também.

O calendário de 2026 promete ser pesado e simbólico. Além das competições tradicionais, o mundo estará de olhos voltados para a Copa do Mundo, que será disputada de forma inédita em três países — Estados Unidos, México e Canadá. Um ano que deveria ser de afirmação do futebol como espetáculo, indústria e paixão global. Mas, para isso, há um obstáculo recorrente que insiste em pedir holofotes: a arbitragem.

Nas últimas temporadas, erros não foram apenas erros. Foram decisões que mudaram jogos, inverteram classificações, reescreveram histórias e, convenientemente, beneficiaram alguns enquanto prejudicaram outros. Não se trata de teoria conspiratória, mas de fatos repetidos à exaustão, sempre tratados como “lances interpretativos” quando o estrago já está feito. O VAR, que nasceu para reduzir injustiças, virou escudo retórico para justificar o injustificável.

Em 2026, o futebol brasileiro não pode se dar ao luxo de mais um ano em que o apito fale mais alto que a bola. O torcedor está cansado de discutir áudio, linha torta, frame congelado e desculpa institucional. Quer discutir jogo, desempenho, tática e talento. Quer perder ou ganhar olhando para o campo, não para a cabine.

Se o futebol é paixão, a credibilidade é sua coluna vertebral. Sem justiça esportiva, o espetáculo vira farsa. A temporada começa agora. Que o protagonismo seja dos jogadores, e que a arbitragem, finalmente, aprenda a não roubar a cena.

 

Texto by: Roberto Vieira

Jornalista e comentarista esportivo

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