Pouco mais de um ano após o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, as prisões e detenções realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) atingiram níveis recordes em todo o país, com impactos profundos em comunidades imigrantes. Dados divulgados até meados de dezembro indicam que mais de 320 mil pessoas foram presas pelo ICE em âmbito nacional, enquanto cerca de 9 mil detenções ocorreram em Massachusetts desde o fim de janeiro de 2025.
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Ações do ICE disparam nos EUA e ampliam clima de medo em comunidade imigrante de Massachusetts
Pouco mais de um ano após o início do segundo mandato do presidente Donald Trump, as prisões e detenções realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) atingiram níveis recordes em todo o país, com impactos profundos em comunidades imigrantes. Dados divulgados até meados de dezembro indicam que mais de 320 mil pessoas foram presas pelo ICE em âmbito nacional, enquanto cerca de 9 mil detenções ocorreram em Massachusetts desde o fim de janeiro de 2025.
Em Marlborough, cidade com pouco mais de 40 mil habitantes, defensores dos direitos dos imigrantes afirmam que os efeitos das operações federais têm sido particularmente severos. Segundo Pamela McNair, fundadora do grupo Indivisible Marlborough, famílias relatam medo constante e mudanças drásticas na rotina diária.
“Pessoas deixaram de buscar alimentos no banco de comida, crianças não estão aprendendo, pais não conseguem trabalhar. Isso muda toda a dinâmica da cidade”, afirmou.
Relatos de moradores e autoridades locais apontam para ações consideradas agressivas por parte dos agentes federais. O vereador do Distrito 6, Trey Fuccillo, disse que há denúncias de veículos do ICE circulando sobre calçadas e propriedades privadas.
“Isso é extremamente imprudente. Não toleraríamos esse tipo de conduta da nossa própria polícia local”, criticou. “Mostra um desrespeito à segurança pública e à integridade das comunidades.”
O ICE não respondeu aos pedidos de comentário sobre as acusações.
O clima de insegurança também teria levado ao cancelamento do tradicional Brazil Fest, festival anual realizado em agosto e organizado pela Bethel Presbyterian Church. O evento, segundo autoridades estaduais, foi suspenso devido ao temor gerado pelas ações de imigração.
“Fui informado de que, infelizmente, a congregação decidiu não realizar o Brazil Fest por causa das prisões do ICE e da política de perseguição a imigrantes indocumentados, incluindo parte da comunidade brasileira”, declarou o senador estadual Jamie Eldridge. “Isso gerou muito medo e trauma.”
Um dos casos que chamou atenção foi o do brasileiro Lucas dos Santos Amaral, detido pelo ICE em janeiro de 2025 em Marlborough e rapidamente transferido para um centro de detenção no Texas. De acordo com sua advogada, Eloa Celedon, ele entrou legalmente nos Estados Unidos há sete anos, mas permaneceu no país após o vencimento do visto de turista. Desde então, líderes comunitários relatam novos avistamentos de agentes federais e mais prisões na cidade.
O chefe de polícia de Marlborough, David Giorgi, confirmou que agentes federais já utilizaram o estacionamento do departamento de polícia como ponto de apoio, embora por períodos curtos. Ele ressaltou, no entanto, que a polícia local não é informada previamente sobre as operações do ICE.
“Eles não nos dizem quando vêm, quem procuram ou pedem ajuda. Nunca nos comunicaram esse tipo de informação”, afirmou.
Segundo a prefeitura, a polícia municipal não questiona o status migratório de pessoas em interações rotineiras.
“O mais importante para nós são as pessoas que vivem aqui. Não importa como chegaram ou qual é o status delas — fazem parte da comunidade”, disse Giorgi.
Autoridades municipais e estaduais demonstram preocupação com os efeitos das políticas federais. Para Fuccillo, o impacto vai além do debate político.
“Essas políticas não são apenas manchetes. Elas afetam diretamente moradores que contribuem para a economia local e mantêm pequenos negócios funcionando.”
O prefeito J. Christian Dumais não comentou o caso especificamente, mas reiterou em declaração anterior que a polícia da cidade não tem autorização legal para aplicar leis federais de imigração. “A prioridade da cidade continuará sendo a segurança de todos que vivem, trabalham e visitam Marlborough”, afirmou.
O ambiente de tensão se agravou ainda mais no segundo semestre, com episódios considerados simbólicos por líderes locais. Em setembro, cartazes do grupo nacionalista branco Patriot Front foram colados em caixas elétricas pela cidade. Pouco depois, durante um concurso anual de decoração, um espantalho teria sido caracterizado como um agente do ICE — embora não esteja claro se a intenção foi deliberada.
Para representantes comunitários, os episódios refletem um cenário de medo, polarização e insegurança, especialmente entre imigrantes, que hoje evitam espaços públicos e eventos culturais. Em uma cidade marcada pela diversidade, as ações federais e seus desdobramentos locais seguem no centro do debate sobre direitos, segurança e convivência comunitária.




