Publicidade

Publicidade

edição ma

Edição MA 4369

Última Edição #4369

Edição MA 4369

BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
Última Edição #83

Coluna Kissila: Da Biologia à Confeitaria: a história de Samara Azevedo e o sucesso do Holy Molly nos EUA

Samara Azevedo de Oliveira é natural de Jundiaí, interior de São Paulo, e construiu uma trajetória marcada por coragem, recomeços e muito trabalho. Formada em Biologia pela região de Campinas, Samara iniciou sua carreira no meio acadêmico ainda no Brasil, onde seguiu firme no caminho da pesquisa científica.

Samara Azevedo de Oliveira é natural de Jundiaí, interior de São Paulo, e construiu uma trajetória marcada por coragem, recomeços e muito trabalho. Formada em Biologia pela região de Campinas, Samara iniciou sua carreira no meio acadêmico ainda no Brasil, onde seguiu firme no caminho da pesquisa científica.

Foi justamente através da carreira acadêmica que ela veio parar nos Estados Unidos. Após concluir o mestrado, encontrou uma oportunidade de doutorado na Clemson University, na Carolina do Sul, e mudou-se para o país em 2016 — completamente sozinha e sem conhecer ninguém.

“No começo foi bem complicado”, relembra. A rotina era intensa: laboratório das 8h às 17h, aulas, escrita de artigos, tese, apresentações e tudo isso em outra língua. “Não foi fácil. Estatística em inglês, pesquisa, cobrança… eu praticamente só vivia no laboratório e não cheguei a conhecer a comunidade brasileira naquela época.”

Foi durante esse período que Samara conheceu seu marido. O relacionamento deu certo e os dois se casaram em 2018. Em 2020, já na reta final do doutorado, nasceu sua primeira filha, Nina. O plano era concluir o doutorado naquele mesmo ano, mas a pandemia acabou adiando tudo, e a defesa só aconteceu em 2021.

Após o doutorado, Samara foi contratada pela própria universidade para trabalhar como pesquisadora. E depois de 2 anos veio a 2 filinha Grace, no entanto Decidiu então sair do trabalho e ficar em casa com as filhas — decisão que, apesar de necessária, trouxe conflitos internos.

“Sempre trabalhei desde os 16 anos, sempre correndo atrás de alguma coisa. Ficar em casa me dava a sensação de que eu não estava produzindo nada para mim”, conta. Tentou dar aulas online, mas com um bebê pequeno, tornou-se inviável. Foi então que resolveu respeitar esse tempo da maternidade.

Quando a filha mais nova, Grace, completou cerca de um ano e meio, Samara decidiu se permitir tentar algo que sempre foi um hobby: cozinhar. Assim nasceu o Holy Molly, inicialmente como uma forma de terapia e autocuidado. Com mais de 15 anos de laboratório, ela percebeu que a disciplina, a precisão e o comprometimento da ciência também a ajudavam na cozinha.

O primeiro produto foi o brigadeiro — simples, mas cheio de identidade. “É um prato que carrega quem eu sou”, diz. Muitos americanos experimentaram brigadeiro pela primeira vez através do Holy Molly, e a aceitação foi imediata. A partir daí, vieram outros doces: pão de mel, carolinas, sobremesas de chocolate e, com a Páscoa, os produtos de chocolate ganharam ainda mais força.

Samara começou oficialmente em abril deste ano e se surpreendeu com o apoio da comunidade. “Eu tinha medo de julgamento, mas encontrei muita gente boa, muita gente me apoiando, divulgando, incentivando.”

Hoje, um dos grandes sucessos do Holy Molly são os panetones artesanais,  kits presenteáveis com brigadeiros decorados, os produtos personalizados e temáticos fazem grande sucesso a cada data especial como Páscoa, dia das Mães,  dia dos namorados,  Natal e etc. e pães de mel temáticos — opções perfeitas para quem quer presentear ou experimentar doces brasileiros feitos com carinho.

Mesmo com a demanda crescendo, Samara ainda mantém os pés no chão. Por enquanto, ela optou por não abrir um site, justamente por não conseguir dar conta de tudo sozinha. “A cada cinco minutos tenho que parar para cuidar das meninas, levar e buscar da escola. Não dá para fazer tudo.”

O plano, no entanto, é claro: no próximo ano, com as duas filhas na escolinha, Samara pretende focar no crescimento do Holy Molly, investir mais no negócio, estudar estratégias de marketing, entender melhor a burocracia e, quem sabe, contratar ajuda. “Talvez um dia eu volte para a sala de aula, mas agora quero tentar. É hora de investir mais.”

Samara é mãe de Nina, de 5 anos, e Grace, de 2. As duas já fazem parte da rotina do negócio. Quando alguém vai buscar encomendas, Nina costuma recepcionar os clientes com orgulho: “Foi a minha mãe que fez!”. Um detalhe simples, mas que traduz o amor e a dedicação por trás de cada doce.

O Holy Molly não é apenas uma confeitaria — é a prova de que recomeços são possíveis, mesmo longe de casa, equilibrando sonhos, maternidade e empreendedorismo.

Diz Samara: “Após a nossa conversa fiquei refletindo sobre um ponto que considero muito importante para outras mães e mulheres. O maior desafio que encontrei ao iniciar um pequeno negócio fui eu mesma. Existe uma cobrança muito grande sobre nós, mulheres, e muitas acabam se sentindo pressionadas e julgadas por qualquer decisão que tomam. Para mães imigrantes, essa realidade parece ainda mais intensa. Gostaria de deixar uma mensagem para todas as mulheres que sonham em iniciar um projeto, seja ele qual for: comece com o que você tem e como você pode. A hora perfeita não existe. As demandas e os problemas não vão simplesmente desaparecer. Você não precisa ser perfeita. Você é capaz. Você consegue.”

Instagram: @brigadeiros.holymolly

Contato: (864) 207-2113

📱 Baixe o app Brazilian Times — Grátis

Publicidade

Brazilian Times
Brazilian Times
Grátis · Google Play
BAIXAR
×