Em 1917, os Estados Unidos adquiriram da Dinamarca as então chamadas Ilhas Virgens Dinamarquesas, no Caribe, por US$ 25 milhões em ouro.
Publicidade
Publicidade
Disputa pela Groenlândia reacende debate histórico: EUA já compraram ilhas da Dinamarca
Da redação
A Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca, voltou ao centro das atenções internacionais em meio a disputas geopolíticas no Ártico. Embora nunca tenha sido vendida, a ilha está inserida em um histórico real de negociações territoriais entre Dinamarca e Estados Unidos, que inclui a compra oficial de ilhas dinamarquesas por Washington no século 20.
Em 1917, os Estados Unidos adquiriram da Dinamarca as então chamadas Ilhas Virgens Dinamarquesas, no Caribe, por US$ 25 milhões em ouro. A transação ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, motivada por preocupações estratégicas e pelo temor de que a Alemanha utilizasse o arquipélago como base militar. Após a compra, o território passou a se chamar Ilhas Virgens Americanas, permanecendo até hoje sob administração norte-americana.
A Groenlândia, no entanto, nunca fez parte de uma negociação concluída. Ainda assim, os Estados Unidos tentaram comprá-la formalmente ao menos duas vezes. Em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, Washington ofereceu cerca de US$ 100 milhões à Dinamarca, alegando razões de defesa no contexto da Guerra Fria. A proposta foi rejeitada. Décadas depois, em 2019, durante o governo de Donald Trump, a ideia voltou a ser mencionada publicamente, provocando reação negativa do governo dinamarquês e um desgaste diplomático entre os dois países.
Localizada em posição estratégica no Ártico, a Groenlândia é considerada peça-chave na segurança do Atlântico Norte. O território abriga a Base Espacial de Pituffik, operada pelos Estados Unidos, fundamental para sistemas de alerta antimísseis e monitoramento espacial. Além disso, a ilha possui reservas de minerais estratégicos, incluindo terras raras, cujo interesse cresce à medida que o degelo facilita o acesso à região e abre novas rotas marítimas.
Apesar de integrar o Reino da Dinamarca, a Groenlândia possui ampla autonomia, com parlamento e governo próprios. A política externa e a defesa permanecem sob responsabilidade dinamarquesa. Pesquisas de opinião indicam que a maioria da população local rejeita a ideia de anexação aos Estados Unidos, embora exista debate interno sobre um eventual processo de independência no futuro.
A história demonstra que a compra de territórios dinamarqueses pelos Estados Unidos não é inédita. No caso da Groenlândia, porém, o interesse norte-americano nunca se traduziu em acordo. Ainda assim, o valor estratégico da ilha mantém o território no centro das disputas globais, especialmente diante da crescente competição internacional pelo controle do Ártico.
Publicidade




