O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria sinalizado a líderes europeus que já não se sente mais comprometido exclusivamente com a busca pela paz, associando sua ofensiva para assumir o controle da Groenlândia ao fato de nunca ter sido premiado com o Nobel da Paz. A informação foi divulgada pelo primeiro-ministro da Noruega.
Publicidade
Trump relaciona interesse na Groenlândia à ausência do Nobel da Paz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria sinalizado a líderes europeus que já não se sente mais comprometido exclusivamente com a busca pela paz, associando sua ofensiva para assumir o controle da Groenlândia ao fato de nunca ter sido premiado com o Nobel da Paz. A informação foi divulgada pelo primeiro-ministro da Noruega.
A declaração surge em meio a um novo agravamento das tensões entre Washington e aliados europeus, que reagiram nesta segunda-feira afirmando que não aceitarão pressões ou ameaças relacionadas à tentativa do governo norte-americano de reivindicar o território pertencente à Dinamarca.
Enquanto países da Europa articulavam respostas à ameaça de Trump de impor tarifas comerciais contra nações que se opuserem a seus interesses, o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, revelou o conteúdo da mensagem enviada pelo presidente dos EUA.
Segundo o texto, Trump afirmou que, pelo fato de a Noruega não ter concedido a ele o Prêmio Nobel da Paz — apesar de, segundo o próprio presidente, ter contribuído para o encerramento de oito conflitos armados —, já não se vê obrigado a adotar uma postura voltada exclusivamente à paz, embora continue considerando esse valor importante. A mensagem foi inicialmente noticiada pela PBS e posteriormente confirmada oficialmente pelo líder norueguês.
Diante do cenário, governos europeus passaram a discutir uma resposta mais dura ao histórico aliado norte-americano, às vésperas de uma cúpula emergencial marcada para quinta-feira, em Bruxelas.
Autoridades da Alemanha e da França reforçaram uma posição conjunta contra qualquer tentativa de intimidação. O ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, afirmou que os dois países não aceitarão chantagens, enquanto o francês Roland Lescure classificou como inaceitável qualquer forma de pressão entre aliados de longa data.
“Chegamos ao limite”, declarou Klingbeil, ao defender uma reação firme da Europa.
No curto prazo, líderes europeus avaliam medidas de retaliação, incluindo a adoção de tarifas próprias. Outra alternativa em discussão é o chamado Instrumento Anti-Coerção da União Europeia — mecanismo ainda inédito, nunca acionado desde sua criação.
Analistas em geopolítica e história apontam que a insistência de Trump na Groenlândia pode representar o momento mais delicado das relações transatlânticas desde a Crise de Suez, em 1956, quando os Estados Unidos pressionaram Reino Unido, França e Israel a se retirarem do Egito.
Foi nesse contexto que a mensagem de Trump veio a público. O primeiro-ministro norueguês confirmou ter recebido o texto diretamente do presidente norte-americano, em resposta a um contato feito por ele e pelo presidente da Finlândia, Alexander Stubb, no qual manifestaram oposição aos aumentos tarifários anunciados por Washington.




