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Edição MA 4369

Última Edição #4369

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
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Coluna Debora Corsi : Quem permanece no momento da dor?

Você saberia dizer quem é a pessoa que permanece ao seu lado nos momentos de dor?

Quando falamos de dor, não nos referimos apenas à dor física ou à enfermidade, mas às fases difíceis que atravessamos na jornada chamada vida. Pode ser no ambiente profissional, quando o trabalho é excessivo, os prazos são curtos e um relatório precisa ser entregue sob pressão, com risco de prejuízos e até de demissão. Nessa hora, quem é o colega que se aproxima e diz: “Conte comigo”?

Na família, quando surge um problema sério, talvez uma dívida urgente, quem é a pessoa que se levanta e diz: “Eu posso te ajudar”? Entre os amigos, quando todos se afastam após um processo doloroso, talvez uma derrota, quem é aquele que permanece quando já não há festas para oferecer, dizendo: “Eu sou seu amigo, com dinheiro ou sem ele”?

Quem é, afinal, a pessoa que fica no momento da dor?

Essa é uma das coisas mais difíceis de encontrar na vida.

A Bíblia Sagrada narra a história de três mulheres, Rute, Orfa e Noemi, que perderam seus maridos. A sogra, Noemi, decide voltar para sua cidade de origem. Uma das noras, Orfa, retorna para a casa dos pais. A outra, Rute, escolhe permanecer com a sogra, declarando que ficaria com ela até o fim. Elas dividiram dores, lutas e lágrimas. Mesmo quando Noemi insistiu para que a nora seguisse seu próprio caminho, Rute sustentou sua decisão com coragem e fidelidade, permanecendo ao lado da sogra até o fim. O desfecho é surpreendente: ambas conseguem reconstruir suas vidas de forma extraordinária. No entanto, essa história revela duas personalidades muito presentes em nosso cotidiano.

A primeira é Orfa, que voltou para a casa dos pais. Quem é essa mulher na nossa vida? É aquela que não permanece no momento da dor. Ela não é má, não deseja o nosso mal, apenas segue outro caminho. Continua sua jornada, chora com outras pessoas, mas não se alia a quem está sofrendo.

No mundo corporativo, por exemplo, quem se alia ao derrotado? Quase ninguém.

A outra personalidade é a de Rute, aquela que fica, mesmo sangrando por dentro. É a pessoa que guarda a própria lágrima para enxugar a sua. Está com o coração ferido, mas ainda assim encontra forças para consolar.

Pessoas assim não são fáceis de encontrar. Mas é essencial identificá-las no meio em que vivemos. São elas que permanecem quando a dor chega.

Vale a pena relembrar a história que circulou por muitos anos na internet sobre um soldado que voltou para buscar o amigo após um bombardeio:

‘Durante um combate, um soldado pede permissão ao seu superior para resgatar um amigo ferido em território inimigo. O comandante nega o pedido, argumentando que o companheiro já deveria estar morto e que seria tolice arriscar mais uma vida. O soldado ignora a ordem e parte sozinho. Horas depois, retorna mortalmente ferido, carregando o corpo do amigo. O comandante, indignado, repreende o soldado por perder dois homens por um cadáver e pergunta se aquilo havia valido a pena. Com suas últimas forças, o soldado responde que sim, pois quando o encontrou, o amigo ainda estava vivo e lhe disse: “Eu sabia que você viria”.

E a pergunta volta para nós:
você permanece com aquele que sofre?

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