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Revista Brazilian Times # 86
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Senadores pedem à Justiça manutenção de proteções a crianças em centros de detenção migratória

O documento foi protocolado no processo Flores v. Bondi, no qual o Departamento de Justiça dos EUA sustenta que o financiamento para detenção previsto no projeto republicano conhecido como One Big Beautiful Bill Act teria anulado as proteções previstas no acordo firmado em 1997.

Da redação

Um grupo de senadores democratas apresentou um amicus brief à Corte de Apelações do Nono Circuito defendendo a manutenção do Acordo Flores, que estabelece padrões mínimos para o tratamento de crianças em detenção migratória nos Estados Unidos. A iniciativa foi liderada pelos senadores Alex Padilla e Adam Schiff, ambos da Califórnia, com a adesão de outros 24 parlamentares.

O documento foi protocolado no processo Flores v. Bondi, no qual o Departamento de Justiça dos EUA sustenta que o financiamento para detenção previsto no projeto republicano conhecido como One Big Beautiful Bill Act teria anulado as proteções previstas no acordo firmado em 1997. Os senadores rebatem o argumento e afirmam que a proposta orçamentária não altera normas legais substantivas.

Segundo o amicus brief, por ter sido aprovado via reconciliação orçamentária, o projeto limitou-se a autorizar despesas, sem poder modificar padrões legais que regem a detenção de crianças. “Encerrar o Acordo Flores representaria uma mudança substantiva de política pública que não sobreviveria ao processo de reconciliação”, afirmam os parlamentares no texto, destacando que tal alteração teria sido barrada durante a tramitação.

Os senadores também rejeitam a tese de que a destinação de recursos para centros de detenção familiar equivaleria a uma autorização para deter crianças fora das regras do acordo. De acordo com o documento, o Congresso apenas aprovou verbas para capacidades já previstas em lei, sem criar novas diretrizes ou eliminar exigências como licenciamento de instalações e padrões de cuidado infantil.

“O fato de o Congresso apropriar recursos não elimina obrigações legais independentes”, argumentam os parlamentares, comparando o caso a outras áreas em que o financiamento federal não dispensa o cumprimento de normas ambientais, trabalhistas ou de direitos civis. Assim, defendem que o tribunal não equipare a dotação orçamentária à revogação do Acordo Flores.

Além de Padilla e Schiff, o amicus brief foi assinado por lideranças como Chuck Schumer, Dick Durbin, Jeff Merkley e Gary Peters, entre outros.

Paralelamente à atuação judicial, Padilla e Schiff intensificaram a fiscalização sobre centros de detenção. Na semana passada, os senadores visitaram a maior unidade da Califórnia, em California City, onde apuraram denúncias de condições insalubres, falhas no atendimento médico e de saúde mental, restrições ao acesso a advogados, falta de acomodações para pessoas com deficiência e uso excessivo de confinamento solitário. Segundo os parlamentares, muitos dos detidos não possuem antecedentes criminais e foram detidos em operações amplas conduzidas por ICE e CBP.

No Congresso, a agenda segue ativa. Recentemente, Padilla e Cory Booker apresentaram o Dignity for Detained Immigrants Act, que propõe o fim de centros privados com fins lucrativos, a proibição da detenção de famílias e o reforço do devido processo legal. Em 2025, Padilla e Schiff também haviam apresentado o Restoring Access to Detainees Act, voltado a garantir contato de detidos com advogados e familiares.

A decisão do Nono Circuito sobre o caso pode definir o futuro das proteções do Acordo Flores e o alcance das políticas de detenção de crianças no atual cenário migratório dos Estados Unidos.

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