Um surto de sarampo confirmado no centro de detenção familiar do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), em Dilley (Texas), reacendeu alertas sobre as condições sanitárias e o tratamento de crianças migrantes sob custódia federal. A unidade abriga atualmente mais de 400 crianças, além de adultos e bebês, segundo dados de organizações que monitoram o sistema de detenção imigratória.
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Surto de sarampo atinge centro de detenção familiar do ICE no Texas e expõe denúncias de violações de direitos humanos
Um surto de sarampo confirmado no centro de detenção familiar do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), em Dilley (Texas), reacendeu alertas sobre as condições sanitárias e o tratamento de crianças migrantes sob custódia federal. A unidade abriga atualmente mais de 400 crianças, além de adultos e bebês, segundo dados de organizações que monitoram o sistema de detenção imigratória.
Autoridades de saúde confirmaram casos ativos de sarampo no local — uma doença altamente contagiosa que havia sido declarada eliminada nos Estados Unidos no ano 2000. Especialistas afirmam que ambientes fechados, com superlotação e circulação limitada, como centros de detenção, favorecem a rápida disseminação do vírus, sobretudo entre crianças com histórico vacinal incompleto.
Advogados de imigração, médicos voluntários e organizações de direitos humanos relataram condições consideradas alarmantes dentro do South Texas Family Residential Center, nome oficial da unidade. Entre as denúncias estão alimentos com insetos, água com odor forte e aparência turva, presença de pragas, além de acesso limitado a atendimento médico adequado.
Um dos casos citados por defensores envolve uma criança que quase morreu de apendicite após, segundo os relatos, sintomas graves terem sido ignorados por funcionários da unidade por dias. O menor acabou sendo hospitalizado em estado crítico após intervenção externa.
As organizações afirmam que as condições descritas violam padrões básicos de saúde pública e proteção infantil, especialmente em um contexto de surto de doença infecciosa.
Em nota, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) informou que adotou protocolos de contenção, incluindo isolamento dos casos identificados, restrição de movimentação interna e monitoramento médico dos detidos. O órgão afirma ainda que vacinas e cuidados médicos estão sendo oferecidos conforme os protocolos federais.
O ICE, por sua vez, nega negligência e sustenta que a unidade segue padrões estabelecidos para centros de detenção familiar. No entanto, o departamento não respondeu diretamente às acusações específicas sobre qualidade da água, alimentos contaminados ou atrasos no atendimento médico infantil.
Especialistas em saúde pública alertam que a detenção de crianças em larga escala representa um risco sanitário previsível, sobretudo em períodos de recrudescimento de doenças evitáveis por vacinação. “Surto de sarampo em um local que concentra centenas de crianças não é um acidente — é consequência de um modelo que prioriza confinamento em detrimento da saúde”, afirmou um médico ouvido por organizações civis.
Entidades de direitos humanos classificaram a situação como grave violação de direitos fundamentais, argumentando que crianças não deveriam ser mantidas em ambientes de detenção, especialmente durante emergências de saúde pública. Grupos pedem o fechamento imediato da unidade ou a liberação das famílias para alternativas comunitárias, como monitoramento humanitário.
O caso de Dilley ocorre em meio a um aumento nacional de casos de sarampo nos Estados Unidos, associado à queda nas taxas de vacinação e à circulação do vírus em comunidades vulneráveis. Para defensores, o surto evidencia falhas estruturais no sistema de detenção migratória e reforça críticas históricas à política de encarceramento de famílias.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o número total de pessoas infectadas nem sobre eventuais liberações emergenciais de famílias com crianças pequenas.
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