Um juiz federal determinou que o governo Trump providencie o retorno de três famílias imigrantes aos Estados Unidos, após concluir que agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) recorreram a “mentiras, engano e coerção” para deportá-las.
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Justiça determina retorno de três famílias aos EUA após constatar irregularidades em deportações
Um juiz federal determinou que o governo Trump providencie o retorno de três famílias imigrantes aos Estados Unidos, após concluir que agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) recorreram a “mentiras, engano e coerção” para deportá-las.
De acordo com o juiz distrital Dana M. Sabraw, as famílias haviam sido separadas na fronteira sul durante a política de “Tolerância Zero”, adotada no primeiro mandato de Trump. Elas estavam incluídas em um acordo firmado em 2023, que garantia status legal temporário e medidas para reunificação familiar. Apesar disso, foram deportadas no verão do ano passado.
Na decisão, com oito páginas, Sabraw afirmou que as ações do governo tornaram sem efeito real as garantias previstas no acordo, classificando-as como meramente “ilusórias”.
“O modo como essas remoções foram conduzidas, além de ilegal, envolveu mentiras, engano e coerção”, escreveu o magistrado.
Em manifestações anteriores, o governo alegou que o tribunal não teria autoridade para ordenar o retorno das famílias, ao mesmo tempo em que sustentou que algumas delas — inclusive uma que possuía autorização válida de permanência (parole) — teriam deixado o país de forma voluntária.
Segundo a decisão judicial, uma das mães, separada de sua filha de cinco anos em 2018, foi informada por agentes de imigração no ano passado de que seu status legal não tinha relevância. Ela foi orientada a comparecer a uma checagem de rotina levando seus filhos menores e seus passaportes.
Ainda conforme o juiz, a mulher foi ameaçada de que, caso não aceitasse a chamada “autodeportação”, seus filhos seriam encaminhados ao sistema de acolhimento ou colocados para adoção. A família — que incluía uma criança de seis anos com cidadania americana — permaneceu detida em um motel por três dias antes de ser enviada a Honduras.
Sabraw relatou ainda que, durante uma verificação em julho de 2025, a mãe declarou que “queria desistir”, afirmando sentir que já não conseguiria sobreviver nos Estados Unidos diante daquelas condições.
Na decisão final, o juiz determinou que o governo federal deve arcar com todas as despesas necessárias para trazer as famílias de volta ao país.
“Essas remoções foram ilegais e, se não tivessem ocorrido, as famílias continuariam nos Estados Unidos, com acesso aos benefícios e recursos garantidos pelo acordo”, afirmou Sabraw.
Procurado pela ABC News, um porta-voz do DHS não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.




