Enquanto isso, o avanço dos projetos segue sob sigilo parcial, com comunidades afetadas e defensores de direitos civis exigindo transparência, fiscalização independente e respeito às garantias legais dos imigrantes.
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ICE planeja maior expansão de centros de detenção da história dos EUA com megacomplexos em antigos galpões
O Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), está conduzindo a maior expansão de centros de detenção imigratória já registrada no país, com a aquisição e adaptação de ao menos 23 grandes galpões industriais que poderão funcionar como novos complexos de encarceramento em larga escala.
De acordo com documentos internos e reportagens investigativas da imprensa norte-americana, os novos centros — descritos como “mega instalações” — poderão mais do que dobrar a capacidade atual de detenção do ICE, que hoje abriga cerca de 73 mil pessoas em centros espalhados pelos Estados Unidos.
Entre os projetos que mais chamam atenção estão dois complexos previstos para o estado do Texas. Um deles deve ser instalado na região de El Paso, com capacidade estimada de 8.500 leitos. Outro, na cidade de Hutchins, poderá comportar até 9.500 pessoas, o que o colocaria entre os maiores locais de detenção dos Estados Unidos, superando inclusive prisões estaduais de segurança máxima.
Caso todos os projetos avancem conforme o planejado, a nova estrutura permitirá ao ICE deter até 76.500 pessoas adicionais, elevando drasticamente o alcance da política de encarceramento imigratório no país.
A estratégia adotada pelo ICE e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês) consiste na compra ou conversão de grandes armazéns logísticos, muitos deles anteriormente utilizados por empresas privadas. A iniciativa se tornou possível após a liberação de bilhões de dólares em novos recursos federais destinados à fiscalização migratória, detenções e deportações.
Oficialmente, o governo afirma que os centros seguirão padrões federais de detenção. No entanto, até o momento, não houve anúncios públicos detalhados sobre todos os locais, cronogramas ou contratos, o que tem gerado preocupação entre parlamentares, defensores de direitos humanos e comunidades locais.
Organizações civis e especialistas alertam que a expansão pode agravar denúncias já recorrentes envolvendo centros de detenção do ICE, como superlotação, dificuldades de acesso a advogados, problemas de saúde, mortes sob custódia e impactos psicológicos prolongados em imigrantes e solicitantes de asilo.
Líderes comunitários no Texas e em outros estados afirmam que a criação desses megacentros tende a normalizar a detenção em massa como política migratória, transformando regiões inteiras em polos permanentes de encarceramento imigratório.
Procurado por veículos de imprensa, o ICE tem adotado um tom cauteloso, afirmando apenas que “avalia opções para garantir capacidade adequada de custódia conforme exigido pela lei”. Autoridades federais evitam confirmar oficialmente o número exato de centros, os valores investidos e as datas de inauguração.
A expansão ocorre em meio a um endurecimento das políticas migratórias, com aumento de prisões, detenções prolongadas e disputas judiciais em tribunais federais. Especialistas avaliam que os novos centros devem se tornar foco de batalhas legais e protestos, especialmente se forem confirmadas capacidades recordes e o uso de estruturas originalmente industriais para confinamento humano.
Enquanto isso, o avanço dos projetos segue sob sigilo parcial, com comunidades afetadas e defensores de direitos civis exigindo transparência, fiscalização independente e respeito às garantias legais dos imigrantes.
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