A Au pair Juliana Magalhãs que testemunhou contra amante em julgamento de grande repercussão terá pena definida em fevereiro; caso envolve assassinato da esposa e de outro homem
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Brasileira aguarda sentença após condenação de ex-patrão por duplo homicídio na Virgínia
A brasileira Juliana Magalhães, ex-au pair, aguarda a definição de sua sentença judicial após a condenação de seu ex-patrão e ex-amante, Brendan Banfield, considerado culpado pelo assassinato da esposa, Christine Banfield, e de Joseph Ryan. O caso, ocorrido no estado da Virgínia, ganhou ampla repercussão internacional e voltou aos holofotes com o avanço das fases finais do processo.
O veredito contra Brendan foi anunciado por um tribunal local após semanas de julgamento. A promotoria sustentou que o réu teria arquitetado um plano premeditado para matar a esposa e construir uma narrativa que incriminasse Ryan, atraído até a residência da família no dia do crime. Para os investigadores, houve tentativa de manipulação da cena e elaboração de um álibi para dificultar a elucidação do caso.
Juliana não foi julgada pelo júri popular como com Brendan porque já havia firmado um acordo judicial anterior com a promotoria. Em 2024, ela se declarou culpada por homicídio culposo (manslaughter) — tipificação que indica participação no caso sem a mesma caracterização de premeditação atribuída ao principal réu.
Como parte do acordo, a brasileira colaborou com as investigações e atuou como testemunha-chave da acusação. Em depoimento, confirmou que mantinha um relacionamento extraconjugal com Brendan e apresentou à Justiça detalhes do que teria sido o planejamento do crime, versão considerada relevante para a condenação.
A defesa sustenta que Juliana teria sido manipulada emocional e psicologicamente pelo ex-patrão, argumento que deverá ser levado em conta pelo juiz no momento da fixação da pena.
A audiência de sentença de Juliana Magalhães está marcada para 13 de fevereiro, etapa que definirá o tempo de pena e as condições judiciais futuras.
Especialistas em direito criminal norte-americano apontam que fatores como colaboração com a Justiça, acordo formal com a promotoria, ausência de antecedentes, e eventual influência psicológica do réu principal podem resultar em pena reduzida ou até no reconhecimento do tempo já cumprido em custódia.
Nesse cenário, não está descartada a possibilidade de deportação ao Brasil após o encerramento do processo.
Já Brendan Banfield, condenado por duplo homicídio, permanece preso aguardando sua própria audiência de sentença, prevista para os próximos meses. Pela gravidade das acusações e pelo entendimento do júri quanto à premeditação, ele pode enfrentar prisão perpétua.
O caso teve forte impacto midiático nos Estados Unidos e no Brasil, tanto pela brutalidade do crime quanto pelo envolvimento de uma au pair brasileira — intercambista inserida em um programa cultural tradicionalmente associado ao cuidado infantil e convivência familiar.
Com a condenação do principal réu e a proximidade da sentença de Juliana Magalhães, o processo entra em sua fase decisiva, devendo encerrar um dos episódios criminais mais emblemáticos recentes envolvendo brasileiros no exterior.




