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Revista Brazilian Times # 86
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Avó imigrante passa 9 meses em detenção do ICE e família denuncia agravamento de demência

Enquanto isso, a família segue mobilizada em busca da libertação da idosa, alegando que a manutenção da detenção representa não apenas uma questão migratória, mas também humanitária, diante da progressão de sua doença em um ambiente considerado inadequado para seu tratamento.


Julia Benitez, uma idosa imigrante, descrita pela família como avó e figura central do núcleo familiar, permanece há cerca de nove meses sob custódia do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), no Eloy Detention Center, no estado do Arizona. O caso tem gerado preocupação entre parentes e defensores de direitos humanos, especialmente devido ao estado de saúde da detida.

Segundo relatos da família, Julia sofre de demência e apresentou piora significativa do quadro cognitivo desde que foi colocada em regime de detenção migratória. Eles afirmam que o período prolongado em custódia, aliado ao ambiente restritivo e à ausência de cuidados especializados contínuos, teria contribuído para o agravamento da doença.

De acordo com os familiares, episódios de confusão mental, lapsos de memória e desorientação tornaram-se mais frequentes ao longo dos meses. A família também demonstra preocupação com a capacidade da idosa de compreender sua própria situação legal, bem como de participar adequadamente de audiências e processos migratórios.

O caso ocorre em meio a um cenário mais amplo: organizações de defesa dos imigrantes apontam aumento no número de pessoas idosas mantidas em centros de detenção do ICE em diferentes estados americanos. Para especialistas, a presença crescente desse grupo vulnerável levanta questionamentos sobre a estrutura médica e psicológica oferecida nessas unidades, que tradicionalmente não são projetadas para cuidados geriátricos ou tratamento de doenças neurodegenerativas.

Advogados e ativistas têm defendido a concessão de liberdade humanitária para imigrantes idosos e com problemas graves de saúde, argumentando que alternativas à detenção — como monitoramento eletrônico ou liberdade supervisionada — seriam mais adequadas e menos prejudiciais.

Procurado em situações semelhantes, o ICE costuma afirmar que fornece atendimento médico conforme os padrões federais e que analisa pedidos de liberação caso a caso, levando em consideração condições médicas e riscos processuais.

Enquanto isso, a família segue mobilizada em busca da libertação da idosa, alegando que a manutenção da detenção representa não apenas uma questão migratória, mas também humanitária, diante da progressão de sua doença em um ambiente considerado inadequado para seu tratamento.

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