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Revista Brazilian Times # 86
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Lula pede ajuda a Trump para prender empresário brasileiro que vive na Flórida

Durante entrevista coletiva concedida no último domingo, em Nova Déli, na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que encaminhou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informações relacionadas a um empresário brasileiro que, segundo ele, seria “o maior devedor do país” e estaria atualmente residindo em Miami, no estado da Flórida.

Durante entrevista coletiva concedida no último domingo, em Nova Déli, na Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que encaminhou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informações relacionadas a um empresário brasileiro que, segundo ele, seria “o maior devedor do país” e estaria atualmente residindo em Miami, no estado da Flórida.

Embora Lula não tenha citado nominalmente o investigado durante a declaração, trata-se do empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit — antiga Refinaria de Manguinhos — localizada no Rio de Janeiro.

Magro é alvo de investigações por suspeitas de participação em esquemas bilionários de sonegação fiscal no setor de combustíveis. Empresas ligadas ao empresário foram alvo da Operação Carbono Oculto, considerada uma das principais ações das autoridades brasileiras no combate a fraudes tributárias associadas ao mercado de combustíveis e a estruturas do crime organizado.

As apurações envolvem suspeitas de evasão de tributos em larga escala, com impacto significativo na arrecadação pública. Apesar disso, até o momento, o empresário não possui condenação definitiva nesses processos, e não há mandado de prisão em aberto contra ele.

Por meio de manifestações públicas e de sua defesa, Magro nega irregularidades. Ele sustenta que não pratica sonegação fiscal, afirmando que suas empresas apenas discutem judicialmente cobranças que consideram indevidas por parte do Fisco. O empresário também declara ser alvo de perseguição e já afirmou ter recebido ameaças após operações realizadas contra companhias do setor.

Ricardo Magro já foi preso anteriormente, em 2016, no âmbito de uma investigação que apurava fraudes envolvendo fundos de pensão. Na ocasião, ele chegou a ser considerado foragido, mas posteriormente se apresentou voluntariamente à Polícia Federal.

Segundo o Ministério Público Federal, os desvios investigados naquele caso poderiam alcançar ao menos R$ 90 milhões. O processo integrou um conjunto de operações que miraram irregularidades na gestão de recursos previdenciários de estatais.

O empresário também teve o nome citado nos chamados Panama Papers, investigação jornalística internacional que revelou a existência de empresas offshore em paraísos fiscais utilizadas por empresários e autoridades de diversos países. Ter empresas offshore, por si só, não é ilegal, mas os documentos levantaram questionamentos sobre possíveis práticas de evasão fiscal e ocultação de patrimônio.

Além disso, Magro já foi investigado por suspeitas de corrupção envolvendo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Essa apuração específica acabou sendo arquivada posteriormente por falta de elementos que sustentassem ação penal.

Outro ponto citado em seu histórico é a atuação como advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. Cunha foi preso em 2016 sob acusações relacionadas a desvios em fundos de pensão, no contexto da Operação Lava Jato, mas acabou absolvido anos depois em determinados processos.

A declaração de Lula ocorre em meio a agendas internacionais e diálogos diplomáticos. O presidente brasileiro não detalhou quais medidas práticas poderiam decorrer do envio das informações às autoridades norte-americanas, nem se houve solicitação formal de cooperação jurídica ou fiscal.

Até o momento, o governo dos Estados Unidos não se pronunciou publicamente sobre o tema, e a defesa de Ricardo Magro não comentou especificamente a fala presidencial.

O caso segue repercutindo nos meios políticos e jurídicos, sobretudo pelo potencial impacto nas relações de cooperação internacional em investigações financeiras e tributárias.

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