O debate sobre a atuação das autoridades federais de imigração voltou ao centro do cenário político em Connecticut, expondo uma divisão cada vez mais evidente entre democratas e republicanos no estado. A controvérsia ganhou força após declarações do governador Ned Lamont, que pediu publicamente que agentes federais evitassem operações em território estadual.
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Connecticut vive divisão política sobre atuação do ICE após declarações do governador
O debate sobre a atuação das autoridades federais de imigração voltou ao centro do cenário político em Connecticut, expondo uma divisão cada vez mais evidente entre democratas e republicanos no estado. A controvérsia ganhou força após declarações do governador Ned Lamont, que pediu publicamente que agentes federais evitassem operações em território estadual.
A fala ocorreu durante o tradicional discurso anual do State of the State, que marca a abertura da sessão legislativa. Em tom direto, Lamont criticou duramente o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE): “Voltem para casa. Estamos mantendo Connecticut seguro sem vocês.”
O governador elogiou as forças policiais estaduais e locais, classificando-as como “as mais bem treinadas do mundo”, em contraste com agentes federais de imigração, que, segundo ele, não seriam preparados para ações de desescalada e atuariam de forma intimidadora.
Lamont também acusou o ICE de realizar prisões em locais sensíveis, como escolas e tribunais, e sugeriu que algumas abordagens ocorreriam com base em perfil racial — declarações que ampliaram a tensão política no plenário.
Enquanto os elogios às forças policiais locais receberam aplausos bipartidários, o clima mudou quando o tema passou a ser o ICE.
Parlamentares republicanos interromperam a manifestação de apoio. O deputado Kurt Vail, ex-agente correcional, deixou o plenário em protesto. Já a deputada Cara Pavalock-D’Amato virou-se de costas para o governador, exibindo nas costas do blazer a mensagem política: “ICE IN”.
O episódio foi criticado pelo presidente da Câmara estadual, Matt Ritter, que repreendeu a postura dos colegas no dia seguinte: “Vocês representam suas cidades e o estado. Não transformem este lugar em um circo.”
As declarações de Lamont ocorreram em meio à repercussão nacional da Operation Metro Surge, operação federal de grande escala conduzida em Minnesota.
A morte de cidadãos norte-americanos durante ações ligadas à operação — incluindo Renee Good e Alex Pretti — gerou protestos e medo em diversas comunidades do país, influenciando o tom adotado pelo governador.
Democratas de Connecticut afirmam ter recebido relatos de moradores preocupados com a possibilidade de operações semelhantes no estado. O senador Matt Lesser declarou que há pressão popular para que autoridades estaduais garantam proteção aos residentes, enquanto o senador Gary Winfield avaliou que o posicionamento do governador sinaliza maior alinhamento entre Executivo e Legislativo democrata nesta sessão.
O conflito político não é novo. Nos últimos anos, projetos relacionados à cooperação com o ICE foram aprovados majoritariamente com votos democratas — que detêm maioria legislativa — e oposição republicana.
O principal marco é o Trust Act, legislação estadual que define quando autoridades locais podem colaborar com detenções migratórias federais.
A lei: Proíbe prisões baseadas apenas em detainers do ICE; Permite ações judiciais contra violações; Define circunstâncias específicas de cooperação sem risco de processo
Em sessão especial realizada em novembro, parlamentares também aprovaram norma que limita prisões migratórias em tribunais estaduais.
A expectativa é que o tema permaneça em evidência. Democratas planejam apresentar um projeto que permitiria que residentes processem agentes federais por violações constitucionais.
A proposta se inspira no precedente da Suprema Corte Bivens v. Six Unknown Named Agents (1971), que reconheceu o direito de cidadãos moverem ações civis contra autoridades federais — embora processos desse tipo não avancem há décadas.
Lideranças republicanas sinalizaram abertura ao debate, mas criticaram a retórica recente. O líder da minoria no Senado estadual, Stephen Harding, afirmou que qualquer autoridade que viole leis deve ser responsabilizada, mas defendeu moderação no discurso político: “Quem não concorda com a aplicação da lei pode defender mudanças e protestar pacificamente.”
O embate em Connecticut espelha a polarização nacional sobre imigração e segurança de fronteiras. Enquanto democratas defendem limites à atuação federal e proteção a comunidades imigrantes, republicanos argumentam que a cooperação é essencial para aplicação das leis.
Com novos projetos em discussão e clima político já acirrado, a atuação do ICE deve continuar como um dos temas centrais da sessão legislativa — mantendo Connecticut no epicentro de um debate que ultrapassa fronteiras estaduais e mobiliza todo o país.




