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Revista Brazilian Times # 83
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Ameaça em rede social leva adolescente brasileiro a deixar plenário durante discurso de Trump

A visita que seria marcada por simbolismo político e reconhecimento público terminou em tensão para o adolescente brasileiro Marcelo Gomes da Silva, residente em Milford (Massachusetts).

A visita que seria marcada por simbolismo político e reconhecimento público terminou em tensão para o adolescente brasileiro Marcelo Gomes da Silva, residente em Milford (Massachusetts). Convidado pelo deputado federal Seth Moulton (Partido Democrata) para assistir presencialmente ao discurso do Estado da União do presidente Donald Trump, o jovem deixou o plenário da Câmara dos Representantes após publicações consideradas ameaçadoras feitas pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) na plataforma X.

Segundo relatos, a situação ocorreu na noite de terça-feira, dia 24, pouco antes do início do discurso presidencial. Em uma das postagens, o DHS mencionou diretamente o convite feito por Moulton e classificou Gomes como “imigrante indocumentado que não tem o direito de estar em nossa nação”. Em tom ainda mais duro, a publicação afirmava que as autoridades estavam “comprometidas em aplicar a lei e lutar pela prisão, detenção e remoção de estrangeiros como ele”.

Diante da repercussão e por medida de segurança, a equipe do congressista decidiu retirar o adolescente do plenário. Em entrevista concedida na quarta-feira, Seth Moulton afirmou que a decisão foi tomada “por excesso de cautela”.

“Trouxemos Marcelo de volta ao meu escritório após a publicação no X”, declarou o parlamentar, acrescentando que um integrante de sua equipe acompanhou o jovem para fora do plenário pouco depois de o presidente homenagear a equipe masculina de hóquei dos Estados Unidos durante o discurso.

Mesmo frustrado por não conseguir permanecer no evento, Marcelo afirmou que o episódio reforçou sua disposição de continuar defendendo a comunidade imigrante.

“Eu tive que tomar uma decisão: me esconder ou lutar — e decidi lutar”, disse. “Não quero ficar em casa agindo como se estivesse com medo, porque acredito que sou a voz de muitos imigrantes e de muitas pessoas que me apoiam.”

A presença de Gomes em Washington carregava forte significado pessoal e político. O adolescente ganhou notoriedade no ano passado, quando foi detido por agentes de imigração após ser abordado enquanto dirigia o carro do pai, na cidade de Milford, em Massachusetts.

Ele permaneceu seis dias preso em uma unidade de detenção em Burlington. De acordo com seu relato, enfrentou condições que classificou como sub-humanas. Durante o período, atuou como intérprete e tradutor para outros trabalhadores imigrantes detidos — a maioria, segundo ele, sem antecedentes criminais.

O caso reacende o debate nacional sobre políticas migratórias, liberdade de expressão e o uso de redes sociais por órgãos federais, especialmente quando direcionadas a indivíduos específicos. Para aliados do jovem e defensores de direitos civis, o episódio levanta questionamentos sobre intimidação institucional. Já apoiadores de políticas migratórias mais rígidas defendem a atuação firme das autoridades.

Enquanto a discussão se intensifica em Washington, Marcelo Gomes afirma que pretende seguir usando sua história como plataforma de defesa dos imigrantes que, segundo ele, “não têm voz”.

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