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Edição MA 4392

Última Edição #4392

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Coluna Arilda: O homem por trás dos mistérios

Jorge Bessa é um escritor brasileiro, nascido em Belém do Pará, com 74 anos. Ele é especialista em Inteligência Estratégica de Estado, Contrainteligência, Espionagem e Contraespionagem, tendo trabalhado por cerca de 30 anos nos diferentes órgãos de Inteligência do governo brasileiro, incluindo a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).

Jorge Bessa é um escritor brasileiro, nascido em Belém do Pará, com 74 anos. Ele é especialista em Inteligência Estratégica de Estado, Contrainteligência, Espionagem e Contraespionagem, tendo trabalhado por cerca de 30 anos nos diferentes órgãos de Inteligência do governo brasileiro, incluindo a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Ele também é um profundo estudioso das mitologias e crenças religiosas que marcaram a história da humanidade, possuindo uma formação diversificada, sendo graduado em Economia, com pós-graduação em Educação a Distância, Medicina Tradicional Chinesa e Psicanálise Clínica.

Bessa é autor de 31 livros que abordam temas como ciência, espiritualidade, inteligência, espionagem e contra espionagem. Alguns de seus livros mais conhecidos incluem ‘Espionagem: Ontem, Hoje e Sempre”, “Guerra na Ucrânia: O Apocalipse de Vladimir Putin”, “O Mistério dos Senhores de Vênus”, “Medicina Emocional”, “A Contra Espionagem Brasileira na Guerra Fria” e “Marxismo: O Ópio dos Intelectoides Latino-americanos.

− Como você se tornou um escritor e o que o motiva a continuar escrevendo?

Comecei a escrever como protesto contra o excesso de secretismo dos militares em relação aos trabalhos do então Serviço Nacional de Informações (SNI), que era visto por parte da sociedade como um covil de assassinos e torturadores, em completa distonia com as atividades daquele órgão de Inteligência. Queria mostrar que naquela organização havia analistas sérios, competentes e comprometidos com a sociedade, e não agentes truculentos e imbecilizados.

Entendia, àquela época, que a sociedade tinha o direito de saber o que realmente fazia sua organização de Inteligência e quais eram os trabalhos proveitosos realizados em benefício da sociedade e do Estado, naquele momento tenso das relações internacionais, em que o mundo estava dividido entre as duas grandes potências e as agências de Inteligência tinham que estar aliadas ou à CIA ou à KGB. A caça aos espiões era uma das principais atividades da Contraespionagem. Tudo isso procurei colocar no livro A Contraespionagem Brasileira na Guerra Fria.

Continuei escrevendo porque tive muito apoio e porque o mundo continuou girando, e as ameaças ao Estado e à sociedade surgiam de várias partes: espionagem econômica, terrorismo internacional, atividades de organizações transnacionais que colidiram com os interesses nacionais etc.

− Qual é o seu processo de pesquisa e como você garante a precisão das informações em seus livros?

Dependendo do assunto tratado, várias são as fontes, que incluem fontes humanas, universidades, especialistas diversos, trabalhos acadêmicos, centros de pesquisa, publicações de Inteligência, livros específicos, jornalistas especializados em determinados temas, corretores de informação e muitas outras das chamadas fontes abertas.

Com o advento da internet e dos sites de busca, esse trabalho ficou muito facilitado, pois, com o mouse do computador, você tem acesso a fontes inimagináveis, às principais universidades do
mundo e, muitas vezes, até ao contato direto com as fontes humanas desejadas; com os tradutores on-line, não existem mais problemas de idioma e, mais recentemente, com a Inteligência Artificial, o trabalho do analista ganhou maior profundidade e agilidade.

Na busca da confiabilidade dos dados coletados, exige-se de qualquer analista a capacidade de interpretar e extrapolar o significado dos conhecimentos obtidos, verificar sua pertinência com base nas evidências e na consistência encontradas, tudo isso lastreado em sua bagagem cultural e formação específica, que permitam atribuir avaliação de credibilidade máxima ou mínima aos dados.

Portanto, no processo de transformar dados, informes e informações em um produto acabado — o livro —, a avaliação deles quanto à sua pertinência e confiabilidade é de máxima importância
para evitar a falsa confirmação de dados ou a desinformação. Sempre levo em conta o histórico de erros e acertos da fonte, o acesso que ela tenha aos dados de que necessito e os elementos
que me permitam avaliar seu grau de confiança e de veracidade.

− Como você aborda a questão da espiritualidade em seus livros e como isso se relaciona com sua experiência em psicanálise?

Inicialmente, é bom confessar que, no passado, fui um materialista convicto que, por bobagem e pretensa vaidade acadêmica, debochava das questões espirituais. Criado em uma família católica, era forçado a ir à missa e achava tudo aquilo uma grande bobagem e perda de tempo. Aos poucos, comecei a ler obras sobre espiritualidade na Índia e no Oriente, que começaram a me despertar para a existência de realidades outras que não a matéria e o tempo da física clássica, até que me veio às mãos o chamado Pentateuco de Kardec, os cinco livros básicos da Codificação Espírita.

Aquilo foi uma grande descoberta, pois essas obras me abriram um novo horizonte sobre a vida e sua continuidade após a morte.

A partir daí, tornei-me um leitor insaciável, comprando e devorando dezenas de livros sobre o tema da espiritualidade, sob os mais diversos enfoques. Acima de tudo, minha preocupação era unir o que eu conhecia das chamadas ciências acadêmicas com as ditas ciências psíquicas e espirituais.

Esses conhecimentos me permitiram perceber que conteúdos presentes em obras espíritas ou espiritualistas complementavam ou ultrapassavam aquilo que grandes nomes da psicanálise, como Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, haviam intuído décadas antes, na tentativa de minorar o sofrimento psíquico das pessoas.

Descobri que uma sessão de regressão de memória poderia ser, em certos casos, mais eficaz do que dezenas de sessões da psicanálise tradicional. Formulei um esboço do que seria uma psicanálise espiritualista, apresentada nos livros Jesus – O Maior Médico que Já Existiu, Psiquiatria Espiritual – A Alma na Medicina e no livro que estou lançando nos próximos dias, Medicina da Alma: O Poder da Consciência nos Processos de Saúde e Adoecimento.

Para mim, hoje, é impossível fazer uma boa psicanálise sem um conhecimento aprofundado sobre a consciência extracorpórea, ou extrafísica (Espírito), e suas múltiplas vivências (reencarnações).

− Qual é o seu objetivo ao escrever sobre temas como a inteligência e a contrainteligência?

Mostrar que a atividade de Inteligência é um importantíssimo instrumento para a conquista e/ou manutenção do poder; alertar a sociedade de que a espionagem é algo do dia a dia de pessoas, organizações e Estados: aquele pretenso diplomata, agente comercial estrangeiro ou um simples turista que está ao seu lado pode ser um agente atuando sob cobertura, na busca de dados de interesse para seu país. Busco também esclarecer que a espionagem, seja política, militar, tecnológica, industrial ou econômica, especialmente sobre descobertas científicas e industriais, pode causar prejuízos imensos a um país que não sabe guarnecer seus segredos. Foi com esse intuito que criei o Programa Nacional de Proteção ao Conhecimento Sensível (PNPC), que até hoje é mantido pela Abin.

Enfim, procuro esclarecer que, no quadro atual das relações internacionais, a atividade de espionagem cresce e prospera, podendo levar à vitória ou à derrota de um país, conforme mostro no livro Guerra na Ucrânia: O Apocalipse de Vladimir Putin.

− Como você vê o papel da ciência e da espiritualidade na sociedade contemporânea?

Quanto mais avançam as pesquisas científicas no campo quântico, mais elas parecem se aproximar do universo paralelo chamado campo espiritual; quanto mais médicos, psiquiatras e pesquisadores independentes revelam suas experiências espirituais, mais credibilidade ganham médiuns e autores espíritas e espiritualistas que apresentam conhecimentos avançados que a ciência, por preconceito ou vaidade acadêmica, evitava pesquisar.

Ciência e espiritualidade fatalmente irão se encontrar e se complementar. Quando isso acontecer, a medicina dará um grande salto na busca de minorar o sofrimento humano, e outras ciências também serão contempladas com soluções para problemas até aqui de difícil resolução. Além disso, a certeza da imortalidade da alma trará profunda modificação no pensamento e na conduta das pessoas.

− Qual é a sua perspectiva sobre a evolução humana e o futuro da humanidade?

A mais positiva possível. Estamos vivendo um momento de transição que algumas religiões chamam de Final dos Tempos, Tempos Chegados ou Juízo Final, em que ocorrem mudanças de
ordem física, climática, cultural, política e comportamental. A Terceira Guerra Mundial parece rondar o planeta; cientistas falam de uma possível mini-era do gelo, outros falam em extinção da espécie humana, e os cosmólogos quedam-se estupefatos diante das excentricidades apresentadas pelo cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar conhecido a visitar o Sistema Solar, detectado em julho de 2025. Enfim, algo de muito estranho parece estar acontecendo e que marca o parto de um novo período de evolução do planeta e de sua humanidade, ideias que apresento no livro Os Ciclos da Humanidade e o Final dos Tempos.

− Qual foi a inspiração para escrever “Marxismo: O ópio dos intelectoides latino-americanos”?

Mostrar à sociedade, de forma simples e não acadêmica, a realidade do marxismo e sua versão mais conhecida, o comunismo. Visava também tirar a máscara de pseudo intelectuais — que chamo de intelectoides — que vendiam essa ideologia, responsável por inúmeros crimes ao longo da história, como solução para nosso país e para a América Latina, por meio do Foro de São Paulo.
Procurava expor figuras que, pela propaganda, aparecem como heróis nacionais da democracia, enquanto defendiam a implantação da ditadura do proletariado no Brasil.

− Como sua experiência como Oficial de Inteligência influenciou sua visão sobre o marxismo na América Latina?

Em 1975, quando fui fazer o curso de Inteligência na antiga Escola Nacional de Informações (Esni), tive meu primeiro contato, por meio de estudos aprofundados, com a doutrina marxista e seu modus operandi por intermédio do Movimento Comunista Internacional, que visava, segundo Karl Marx, ao domínio mundial. Longe de ser uma lavagem cerebral, foi a oportunidade de mergulhar no âmago dessa doutrina por meio da leitura das obras clássicas de Marx, Lênin e outros grandes nomes do marxismo.

Posteriormente, como Oficial de Inteligência, tive o privilégio de atuar em países sob regime comunista, principalmente na ex-União Soviética, e de constatar a miséria material e a ausência de liberdade que imperavam nesses países, ou seja, vi a grande disparidade entre teoria e prática. Tudo isso foi alimentando em mim a ideia de denunciar essa farsa que iludiu muita gente bem-intencionada, porém ingênua — os chamados “inocentes úteis” — sobre a realidade do comunismo.

− Você acredita que o marxismo ainda é uma força relevante na política latino-americana?

Pelo que se pode observar do que está acontecendo no mundo, essa ideologia parece estar em decadência e em franco declínio. Na América do Sul, ditadores estão morrendo, e lideranças históricas enfrentam desgaste político, indicando que certos projetos ideológicos não se concretizaram como previsto. Novos tempos parecem se desenhar para a humanidade.

− Qual é o seu processo de escrita e como você desenvolve suas ideias?

Não sigo nenhum método especial. Quando começo um livro, surge primeiro o título; depois, as ideias vão aparecendo. Não teria muito mais a acrescentar.

− Como você equilibra sua carreira de escritor com suas outras paixões, como a psicanálise e a medicina tradicional chinesa?

De forma natural, pois todas essas áreas se tocam e se complementam. Em Medicina da Alma, procuro esclarecer como tudo isso se integra e como esses conhecimentos podem ser
unificados. A Medicina Tradicional Chinesa, a Medicina Ayurvédica da Índia, a ciência do ioga, entre outras, possuem formas semelhantes e profundas de explicar a Consciência ou Espírito, contribuindo para uma melhor compreensão e tratamento dos pacientes. Atualmente, muitas pessoas recordam nomes de prêmios Nobel que já alertavam que a consciência não se reduz ao cérebro, como Max Planck, Roger Penrose, entre outros. A Física Quântica tem sido apontada como elemento relevante na mudança de paradigma da medicina, especialmente na psiquiatria e na psicologia.

− Qual é o seu livro favorito dentre os que você escreveu e por quê?

Talvez seja Anunnakis e Nephilins: Anjos no Céu e Demônios na Terra, fruto de décadas de pesquisa que me levaram à convicção de que o salto qualitativo ocorrido na humanidade durante a Revolução Neolítica contou com a intervenção de exilados planetários que teriam vindo para cá e que aparecem na Mesopotâmia como Anunnakis, no Velho Testamento como nefilins e como anjos decaídos no Livro de Enoque. As evidências que apresento naquela obra procuram iluminar dúvidas e mistérios relacionados ao alto nível de conhecimento de antigas civilizações e de seus líderes, chamados de deuses. Trata-se de uma tentativa de reinterpretar nosso passado, muitas vezes moldado por interesses políticos ou religiosos ao longo da história.

− Você acredita que a espiritualidade e a ciência podem coexistir e se complementar?

Tenho plena convicção de que sim, conforme já mencionei anteriormente.

− Como você acha que o livro “Marxismo: O ópio dos intelectoides latino-americanos”  pode contribuir para a discussão sobre o marxismo na América Latina?

Acredito que o impacto possa ser limitado, pois o interesse pela leitura tem diminuído entre os jovens, que muitas vezes se voltam para propostas mais imediatistas. No campo acadêmico, o debate tende a ser concentrado em determinadas correntes de pensamento. Além disso, não possuo credenciais acadêmicas formais que ampliem minha inserção nesse meio. Ainda assim, considero válido contribuir para o debate público.

− Qual é o seu conselho para jovens escritores que desejam se tornar autores de sucesso?

Não teria um conselho especial, a não ser recomendar que estudem muito sobre os temas a respeito dos quais pretendem escrever. Depois disso, é começar. Para alcançar sucesso nos tempos atuais, também é importante saber utilizar as redes sociais, algo que reconheço não dominar plenamente.

− O que você espera que os leitores levem do seu livro e como você acredita que ele pode impactar a sociedade?

Gostaria que meus livros provocassem dúvidas e questionamentos, despertando a curiosidade do leitor para investigar se o que afirmo é verdadeiro e confiável. Se conseguir estimular a busca sincera pela verdade, dou-me por satisfeito.

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