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Revista Brazilian Times # 83
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Líderes religiosos e ativistas realizam vigília contra possível centro de detenção do ICE em Nova York

“Vamos continuar realizando essas vigílias semanalmente. Enquanto esse armazém permanecer como uma possível opção para um centro de detenção, estaremos atentos”, disse Gittel Evangelist, diretora de comunicação da Rural & Migrant Ministry.


Líderes religiosos, defensores dos direitos dos imigrantes e moradores da região do Hudson Valley, no estado de Nova York, realizaram na sexta-feira uma vigília em protesto contra a possível criação de um centro de detenção de imigrantes em um antigo armazém industrial. A manifestação ocorreu em frente ao prédio que anteriormente abrigava uma unidade da rede Pep Boys, localizado em 29 Elizabeth Drive, na cidade de Chester.

O protesto aconteceu mesmo após o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) afirmar recentemente que não pretende avançar com o projeto “neste momento”.

A mobilização ganhou força depois que uma reportagem do The Washington Post revelou que o governo federal estaria analisando a conversão de mais de 20 armazéns nos Estados Unidos em centros de detenção para imigrantes, incluindo o prédio em Chester. De acordo com o plano divulgado, a instalação poderia abrigar até 1.500 pessoas e estaria ligada a investimentos associados ao empresário e ex-conselheiro de Donald Trump, Carl Icahn.

Oposição política e comunitária

A proposta provocou forte reação de autoridades locais e estaduais, incluindo o deputado federal Pat Ryan e o executivo do condado de Orange, Steve Neuhaus. O legislativo do condado aprovou por unanimidade (21 votos a 0) uma resolução formal contra a instalação do centro de detenção.

Centenas de moradores também compareceram ao prédio do governo local para protestar contra a possível instalação da unidade.

Dan Getman, morador da cidade de Accord e um dos organizadores da vigília, afirmou que decidiu mobilizar a comunidade após tomar conhecimento da proposta.

“Fiquei profundamente revoltado com a ideia de um ‘armazém humano’ no Hudson Valley. Senti que precisava fazer algo”, disse.

Mensagens contraditórias

A vigília também reflete a confusão gerada por declarações divergentes do ICE sobre o futuro do armazém. No mês passado, a agência chegou a afirmar que havia adquirido o imóvel, mas retirou a declaração cinco dias depois, alegando que a informação havia sido divulgada por engano e sem aprovação adequada.

Posteriormente, o gabinete do deputado estadual Brian Maher informou que, após contato com autoridades federais, recebeu a garantia de que o projeto não avançará no local de Chester neste momento.

Mesmo assim, muitos moradores dizem continuar desconfiados, citando a recente compra de outro armazém pela agência na cidade de Roxbury, em Nova Jersey.

“É muito difícil saber em que acreditar quando tantas declarações contraditórias são divulgadas”, afirmou Lisa Baker, integrante da organização Rural & Migrant Ministry.

Preocupação com condições e impacto social

Antes da vigília, participantes se reuniram em um centro comunitário local e seguiram em caravana de veículos até o armazém abandonado. Muitos carros exibiam cartazes com mensagens como “Lembre-se da sua humanidade” e “Ame o seu próximo”.

No local, líderes religiosos conduziram orações e discursos. A reverenda Sarah Henkel, pastora presbiteriana da região, afirmou que o espaço não possui infraestrutura adequada para funcionar como centro de detenção.

“Não há garantia de que as pessoas seriam mantidas em condições humanas. O local também apresenta problemas ambientais, como falta de água e infraestrutura sanitária adequada”, disse.

Relatos de famílias afetadas

Durante o evento, participantes também compartilharam experiências pessoais relacionadas à imigração. Maria Martinez, consultora legislativa da organização Rural & Migrant Ministry, relembrou que seus pais foram detidos pelo ICE em 2013 e permaneceram em centros de detenção por até duas semanas.

Ela contou que sua mãe relatou condições difíceis durante a custódia, incluindo situações em que mulheres aguardavam exames médicos sendo identificadas apenas por números.

O reverendo Richard Witt, diretor executivo da organização, afirmou que a possibilidade de um centro de detenção na região tem aumentado o medo entre comunidades imigrantes locais.

“Muitas pessoas vivem com grande medo pela segurança de suas famílias. Há pessoas com receio até de sair de casa”, afirmou.

Mobilização continuará

Durante a vigília, os participantes acenderam velas e leram os nomes de pessoas que morreram sob custódia do ICE ou durante operações da agência neste ano. O ato terminou com uma oração coletiva.

Mesmo com a incerteza sobre o futuro do projeto, os organizadores afirmaram que pretendem continuar mobilizados.

“Vamos continuar realizando essas vigílias semanalmente. Enquanto esse armazém permanecer como uma possível opção para um centro de detenção, estaremos atentos”, disse Gittel Evangelist, diretora de comunicação da Rural & Migrant Ministry.

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