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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 84
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Coluna SporTotal by Roberto Vieira

Os chefões da FIA vão coletar mais dados técnicos depois da chiadeira da maioria dos pilotos quanto a falta de potência do motor a combustão e do sistema de “superclipping” gerenciamento de bateria e perda de velocidade.

A F1 virou guerra de software, não é mais braço e talento: é código

O início da temporada 2026 já deixou um recado claro: não é mais só braço e talento do piloto. Quem dominou o código e entendeu o software do carro já saiu na frente na nova era da Fórmula 1. Os chefões da FIA vão coletar mais dados técnicos depois da chiadeira da maioria dos pilotos quanto a falta de potência do motor a combustão e do sistema de “superclipping” gerenciamento de bateria e perda de velocidade.

Na China ficou escancarou uma nova realidade no paddock: não basta ter piloto talentoso ou um carro rápido. Agora é preciso dominar o software que controla praticamente tudo no carro. Algumas equipes entenderam rapidamente o novo jogo. Outras ainda estão completamente perdidas. Os abandonos da McLaren, o problema de Bortoleto com a Audi e o fiasco de Piastri na Austrália deixam claro que a adaptação está longe de ser uniforme no grid. A nova F1 não perdoa atraso tecnológico. Quem acertou o código está voando. Quem ainda tenta entender o sistema…fica pelo caminho.

A nova geração de carros transformou o piloto em parte de um sistema altamente dependente de tecnologia e software. E é justamente aí que muitos estão tropeçando. A contestação de algumas equipes sobre o novo regulamento começa a ganhar explicação dentro da pista. Muitas ainda não conseguiram dominar a nova tecnologia e, principalmente, o software que agora manda mais do que o pé do piloto.

Mercedes dominando, Ferrari competitiva e a atual campeã McLaren sem conseguir sequer largar. A Audi de Bortoleto também ficou pelo caminho. O motor de Verstappen falha na largada e apagando no final do nada, enfim, Na nova Fórmula 1 é simples: quem acertou o código voa…quem não acertou nem entra no jogo.

 

Antonelli vence na China aos 19 anos

A Fórmula 1 viu na madrugada do domingo um momento marcante em Xangai, com Kimi Antonelli conquistando sua primeira vitória em um GP e se emocionando logo após a bandeirada. O piloto da Mercedes não conseguiu conter as lágrimas depois de realizar um dos principais sonhos da carreira ainda aos 19 anos.

O muleke virou o segundo vencedor mais jovem da história da F1; a Mercedes saiu das duas primeiras etapas com vitória de Russell e dobradinha na Austrália, seguida de vitória de Antonelli e nova dobradinha na China. Isso sustenta bem a leitura de que, neste início de ciclo, a Mercedes é a referência técnica do grid.

Kimi Antonelli, com apenas 19 anos, conquistou sua primeira vitória e confirmou de vez aquilo que as duas primeiras corridas de já começam a gritar sem cerimônia: a Mercedes entrou no novo regulamento um passo à frente de todo mundo. Depois da dobradinha na Austrália, a equipe repetiu o roteiro na China, agora com Antonelli no topo e Russell logo atrás. Não é acaso, não é truque de fim de semana, não é fumaça de treino. É domínio do software.

A sensação deixada por esta segunda etapa da temporada é cristalina: a Mercedes tem hoje o pacote mais forte da F1. Tem potência, tem ritmo de corrida, tem gestão de pneus e, talvez o mais importante neste início de nova era, tem um conjunto que parece mais bem resolvido do que o dos rivais. Em regulamento novo, quem entende o próprio carro antes dos outros já larga com meio campeonato no bolso. E, por enquanto, é exatamente essa a cara da Mercedes.

Do outro lado, a Red Bull vive um começo de campeonato com cara de ressaca técnica. Max Verstappen já havia terminado apenas em sexto na Austrália, mais de 54 segundos atrás do vencedor George Russell, e reconheceu publicamente o tamanho do buraco para a Mercedes, mas está sim focado em trabalhar para reduzir a diferença. Em outras palavras: o desconforto está ali, mesmo quando o discurso tenta manter a pose. Carro ruim não respeita currículo; transforma gênio em bombeiro de emergência.

E aí mora uma ironia: para piloto, regulamento bom quase sempre é o regulamento em que seu carro anda. Quando o equipamento responde, tudo parece suportável; quando não responde, nasce o sermão contra motor, software, entrega de potência, recuperação de energia e tudo mais que houver no cardápio. Verstappen pode até seguir tirando voltas improváveis do bolso, como fez na Australia largando da última posição e chegando no P6, mas nenhum talento faz milagre quando o pacote técnico nasce torto.

Texto by: Roberto Vieira

Jornalista e comentarista esportivo

 

 

 

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