Kordia havia sido inicialmente detida em abril de 2024, durante protestos relacionados à guerra em Gaza realizados nas proximidades da Columbia University, em Nova York.
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Palestina detida por protestos em universidade nos EUA é libertada após um ano em centro de imigração
Da redação
Após passar cerca de um ano sob custódia das autoridades de imigração dos Estados Unidos, a palestina Leqaa Kordia, de 33 anos, foi libertada nesta semana de um centro de detenção no Texas. A decisão ocorre em meio a um debate nacional sobre liberdade de expressão e políticas migratórias durante a atual administração do presidente Donald Trump.
Kordia havia sido inicialmente detida em abril de 2024, durante protestos relacionados à guerra em Gaza realizados nas proximidades da Columbia University, em Nova York. Na ocasião, ela estava entre mais de 100 manifestantes presos, mas acabou liberada.
No entanto, em março de 2025, foi novamente detida durante um procedimento rotineiro de imigração. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) alegou que a palestina permaneceu no país após o vencimento de seu visto de estudante, que teria sido cancelado em 2022 por falta de frequência acadêmica.
Além da questão migratória, autoridades federais iniciaram uma investigação sobre transferências financeiras feitas por Kordia para o exterior. Segundo ela, os valores foram enviados para familiares. Apesar das suspeitas levantadas pelo governo — que chegou a sugerir possível apoio a pessoas em países considerados hostis aos EUA —, nenhuma acusação criminal foi formalizada.
Durante as audiências, um juiz de imigração considerou haver “evidências contundentes” de que Kordia dizia a verdade sobre o destino dos recursos. Em sua terceira audiência de fiança, realizada na última sexta-feira, o magistrado classificou os argumentos do governo como “enganosos” e determinou sua libertação mediante pagamento de fiança no valor de US$ 100 mil.
Enquanto esteve detida em uma unidade no Texas, Kordia relatou condições consideradas insalubres e desumanas. Ela também precisou ser hospitalizada por três dias após sofrer uma convulsão, além de episódios de desmaio. Segundo seu relato, chegou a ser algemada a uma cama durante o período de internação.
Ao deixar o centro de detenção, Kordia demonstrou alívio. “Não sei o que dizer. Estou livre! Finalmente, depois de um ano”, afirmou a jornalistas.
Advogados e apoiadores argumentam que ela foi alvo de perseguição por seu ativismo em defesa dos direitos palestinos. Para Sarah Sherman-Stokes, da clínica de direitos dos imigrantes da Universidade de Boston, a detenção foi motivada de forma indevida por suas posições políticas.
Familiares também celebraram a libertação. O primo Hamzah Abushaban afirmou que o período foi extremamente difícil para toda a família e agradeceu o apoio da comunidade e as orações recebidas, especialmente durante o mês do Ramadã.
Kordia, natural da Cisjordânia, poderá retornar à sua residência em Nova Jersey enquanto o processo migratório segue em andamento. O DHS, por sua vez, reiterou que ela permanece em situação irregular no país e afirmou que continuará defendendo sua deportação.
O caso ocorre em um momento de endurecimento das políticas migratórias e repressão a protestos estudantis internacionais nos Estados Unidos, reacendendo discussões sobre os limites entre segurança nacional, imigração e liberdade de expressão.
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