A decisão de estender mais uma vez o contrato reforça o papel das empresas privadas no sistema de imigração dos Estados Unidos e reacende o debate sobre os impactos dessa política, tanto do ponto de vista financeiro quanto humanitário.
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ICE planeja estender contrato com empresa privada para centro de detenção em NJ
O Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) pretende estender o contrato com a empresa privada CoreCivic para a operação do centro de detenção de Elizabeth, em Nova Jersey, onde mais de 300 imigrantes estão atualmente sob custódia. A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de ampliar a estrutura nacional de detenções e deportações.
De acordo com informações divulgadas em documentos oficiais de contratação, o ICE pretende adicionar dois meses ao contrato vigente, que se encerra no final de março de 2026. O Departamento de Segurança Interna (DHS) justificou a decisão afirmando que apenas a atual operadora tem capacidade de atender às exigências dentro do prazo estipulado, com início previsto para 1º de abril.
Localizado a cerca de 32 quilômetros ao sul de Manhattan, o centro de detenção de Elizabeth é administrado pela CoreCivic há décadas. Dados do grupo de pesquisa independente TRAC indicam que, no início de fevereiro, a unidade abrigava cerca de 309 pessoas — a maioria sem antecedentes criminais.
Outro centro de detenção em Nova Jersey, o Delaney Hall, em Newark, operado pela GEO Group, possui uma população aproximadamente três vezes maior, evidenciando a expansão do sistema no estado.
Com um orçamento de dezenas de bilhões de dólares, o ICE estabeleceu como meta atingir 92.600 leitos em todo o país, consolidando uma rede de centros de detenção de costa a costa. Como parte desse plano, a agência adquiriu recentemente um armazém em Roxbury Township, no condado de Morris, por cerca de US$ 130 milhões.
Empresas privadas têm desempenhado papel central nessa expansão. A CoreCivic e a GEO Group, responsáveis por grandes unidades de detenção, também aparecem como doadoras relevantes em campanhas políticas. Registros indicam que cada uma contribuiu com US$ 500 mil para o comitê de posse presidencial de Donald Trump.
O contrato da GEO Group para operar o Delaney Hall, fechado em fevereiro de 2025, ultrapassa a marca de US$ 1 bilhão, reforçando o peso financeiro do setor.
O fortalecimento da política de imigração resultou em ganhos expressivos para a indústria de prisões privadas. A CoreCivic registrou aumento de 69% no lucro líquido em 2025, impulsionado pela ampliação de contratos governamentais. Já a GEO Group teve lucro de aproximadamente US$ 254 milhões no mesmo período — um crescimento de quase 700% em relação ao ano anterior. Juntas, as empresas somaram cerca de US$ 3 bilhões em receita.
Apesar dos números positivos, centros de detenção enfrentam críticas frequentes. Investigações federais independentes apontam problemas como alimentação inadequada, condições sanitárias precárias, presença de armas sem controle, episódios de violência e procedimentos médicos invasivos, inclusive sem consentimento em alguns casos envolvendo mulheres.
Além disso, o inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna já relatou falhas no monitoramento de crianças imigrantes, com milhares de menores sendo perdidos pelo sistema enquanto seus pais permaneciam detidos.
O contrato da unidade de Elizabeth não é novo alvo de prorrogações. Documentos obtidos por meio da Lei de Liberdade de Informação (FOIA) mostram que o acordo vem sendo renovado e modificado repetidamente desde pelo menos 2005, indicando uma dependência contínua do governo em relação à operadora privada.
A decisão de estender mais uma vez o contrato reforça o papel das empresas privadas no sistema de imigração dos Estados Unidos e reacende o debate sobre os impactos dessa política, tanto do ponto de vista financeiro quanto humanitário.




