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Revista Brazilian Times # 84
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Ex-modelo brasileira deportada dos EUA já viajou em voo com Jeffrey Epstein

O caso segue despertando interesse global, à medida que novos relatos continuam surgindo e ampliando o entendimento sobre a dimensão do esquema que operou por anos longe do escrutínio público.


A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, recentemente deportada dos Estados Unidos após mais de duas décadas vivendo no país, revelou detalhes inéditos sobre uma viagem que fez, ainda adolescente, a bordo do avião do financista Jeffrey Epstein — figura central de um dos maiores escândalos sexuais da história recente americana.

Ungaro, hoje com 41 anos, afirmou que tinha apenas 17 quando embarcou no jato particular de Epstein, em junho de 2002, em um voo entre Paris e Nova York. Segundo ela, a experiência foi marcada por estranhamento e desconforto diante da presença de dezenas de jovens a bordo.

“Eram cerca de 30 meninas. Achei tudo muito estranho. Elas pareciam mais estudantes do que modelos, eram muito jovens”, relatou.

De acordo com o depoimento, algumas dessas jovens demonstravam proximidade com Epstein, sentando-se ao seu lado e interagindo com naturalidade. A brasileira também mencionou a presença de Ghislaine Maxwell, posteriormente condenada por participação em crimes ligados ao esquema de exploração sexual.

A viagem teria sido organizada pelo agente francês Jean-Luc Brunel, apontado em investigações como recrutador de jovens para Epstein. Foi ele quem apresentou Ungaro ao empresário durante o voo. À época, porém, o financista ainda não era alvo de acusações públicas — o escândalo só viria à tona anos depois, a partir de 2005.

Além das suspeitas envolvendo as passageiras, a ex-modelo relatou um episódio que aumentou ainda mais sua apreensão. Segundo ela, Brunel tentou convencê-la a transportar um pacote em sua bolsa durante o trajeto.

“Percebi que podia ser algo errado, talvez drogas, e me recusei na hora”, afirmou.

Ungaro contou que passou praticamente todo o voo isolada, evitando contato com os demais passageiros. “Eu só queria sair daquele avião. Sabia que tinha algo errado, mas não imaginava a gravidade”, disse.

O relato ganha ainda mais repercussão após sua recente deportação dos Estados Unidos, onde viveu entre 2002 e 2025. Segundo ela, a medida estaria relacionada a uma disputa judicial envolvendo a guarda de seu filho, levantando também questionamentos sobre possíveis influências políticas no caso.

Jeffrey Epstein passou a ser investigado formalmente em 2006, após denúncias de abuso sexual de menores na Flórida. O caso se tornou um dos maiores escândalos envolvendo exploração sexual nos Estados Unidos, com repercussão internacional e conexões com figuras influentes do meio político e empresarial.

Especialistas apontam que testemunhos como o da brasileira ajudam a compreender como funcionava a rede de contatos de Epstein antes das denúncias públicas. As declarações também reforçam suspeitas sobre o papel de intermediários no recrutamento de jovens em diferentes países.

O caso segue despertando interesse global, à medida que novos relatos continuam surgindo e ampliando o entendimento sobre a dimensão do esquema que operou por anos longe do escrutínio público.

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