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Revista Brazilian Times # 83
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Illinois avança com projeto para barrar centros de detenção de imigrantes perto de comunidades

A votação do projeto deve ocorrer nas próximas semanas e pode abrir um novo capítulo no embate entre estados e governo federal sobre os limites da política migratória nos Estados Unidos.


A Câmara de Illinois deve votar nos próximos dias um projeto de lei que pode mudar significativamente a forma como centros de detenção de imigrantes são instalados no estado. A proposta proíbe a construção ou operação dessas unidades a menos de 1.500 pés (cerca de 450 metros) de escolas, parques, residências e outros espaços comunitários, em resposta direta aos confrontos registrados durante operações federais de deportação em massa no ano passado.

A medida é liderada pelo presidente da Câmara estadual, Emanuel “Chris” Welch, democrata que representa a região de Broadview — onde um centro do dEPARTAMENTO de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) se tornou palco de intensos conflitos entre agentes federais e manifestantes durante a chamada operação “Midway Blitz”, conduzida na gestão do ex-presidente Donald Trump.

Segundo Welch, a proposta nasce de uma experiência direta com os impactos dessas operações. “Isso não é um debate abstrato. É pessoal e profundamente local. As famílias viveram medo, houve confrontos e comunidades inteiras foram abaladas”, afirmou durante audiência no comitê executivo da Câmara, que aprovou o projeto por 8 votos a 3.

O texto determina que centros de detenção não poderão ser “localizados, construídos ou operados” dentro do raio estipulado de locais considerados sensíveis, como creches, igrejas, moradias públicas e áreas de lazer. No entanto, a medida não terá efeito retroativo, o que significa que a atual unidade do ICE em Broadview continuará em funcionamento.

A proposta também pode dificultar planos federais de expansão dessas instalações. No ano passado, autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS) chegaram a discutir a possibilidade de ampliar a presença do ICE na região de Chicago — cenário que motivou a apresentação do projeto por Welch meses depois.

Apesar de contar com maioria democrata tanto na Câmara quanto no Senado estadual — o que aumenta as chances de aprovação — o projeto pode enfrentar desafios judiciais. Parlamentares republicanos argumentam que a legislação pode entrar em conflito com a autoridade federal sobre políticas migratórias. Durante o debate, foi citado um precedente da Justiça federal que limita a capacidade dos estados de interferirem na operação de centros de detenção imigratória.

Welch, no entanto, rebateu as críticas, afirmando que a proposta não representa uma proibição total, mas sim uma regulamentação baseada na proteção das comunidades. “Não queremos centros de detenção próximos de nossas casas, escolas e igrejas. Isso é sobre segurança e qualidade de vida”, declarou.

Autoridades locais reforçam a preocupação. A prefeita de Broadview, Katrina Thompson, destacou que a proximidade do centro de detenção — em alguns casos a apenas 600 pés de residências — teve impacto direto na rotina dos moradores. “A localização dessas unidades afeta o sentimento de segurança e estabilidade da comunidade”, disse.

Os confrontos registrados na região incluíram o uso de gás lacrimogêneo e munições de menor letalidade contra manifestantes, além de interrupções na vida cotidiana por semanas. Parte das acusações contra envolvidos nos protestos já começou a ser retirada pela Justiça, em um caso que ganhou repercussão política.

Enquanto isso, autoridades federais evitam comentar diretamente a proposta. Em nota, representantes do ICE reforçaram críticas a políticas consideradas “santuário” e afirmaram que a falta de cooperação com agentes federais pode comprometer a segurança pública.

A votação do projeto deve ocorrer nas próximas semanas e pode abrir um novo capítulo no embate entre estados e governo federal sobre os limites da política migratória nos Estados Unidos.

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