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Revista Brazilian Times # 83
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Prisões de imigrantes disparam em Nova York, mas deportações caem e revelam nova estratégia do ICE

Enquanto isso, comunidades imigrantes seguem vivendo sob um clima de tensão, diante de operações mais frequentes e imprevisíveis, mesmo quando as chances de deportação efetiva são menores.


Dados recentes divulgados pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos revelam um cenário complexo e contraditório na política migratória em Nova York. Embora o número de prisões de imigrantes tenha aumentado de forma significativa no início de 2026, as deportações caíram, levantando questionamentos sobre a estratégia adotada pelas autoridades federais.

Levantamento baseado em informações do Deportation Data Project, analisadas pelo veículo Gothamist, mostra que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) prenderam mais de 1.200 imigrantes nas primeiras oito semanas de 2026 — quase três vezes mais do que no mesmo período de 2025, quando foram registradas 462 detenções.

Apesar do aumento expressivo nas prisões, o número de deportações não acompanhou esse crescimento. Apenas 195 dos detidos em 2026 foram efetivamente deportados, contra 342 no mesmo intervalo do ano anterior. Isso representa uma taxa de deportação de 16%, bem inferior aos 74% registrados em 2025.

Especialistas apontam que os dados refletem uma mudança na abordagem da política migratória sob a atual administração. Segundo a professora Lenni Benson, da New York Law School, o governo passou a tratar praticamente todos os imigrantes indocumentados como prioridade para ações de fiscalização, ampliando operações e detenções.

Por outro lado, defensores dos direitos civis criticam a prática. Amy Belsher, advogada da União pelas Liberdades Civis de Nova York, afirma que há indícios de uma política baseada em “prender primeiro e perguntar depois”, com muitas detenções consideradas injustificadas.

“Grande parte dessas prisões não tem base legal sólida. Quando conseguem assistência jurídica, muitos imigrantes acabam sendo liberados”, afirmou.

Outro dado que chama atenção é a redução no tempo médio de detenção. Em 2026, imigrantes permaneceram detidos, em média, oito dias — uma queda significativa em relação aos 48 dias registrados no mesmo período de 2025.

Ainda assim, especialistas destacam que o aumento no número de abordagens tem impacto direto nas comunidades imigrantes, gerando insegurança e incerteza, mesmo entre aqueles que acabam sendo liberados posteriormente.

Entre menores de idade, o cenário também apresenta contrastes. Houve uma queda expressiva no número de jovens detidos — redução de 84% em comparação ao período anterior. No entanto, proporcionalmente, mais desses casos resultaram em deportações.

Além disso, o tempo médio de detenção de menores aumentou significativamente, passando de poucas horas para vários dias, o que tem preocupado organizações de defesa dos direitos de crianças imigrantes.

Os dados evidenciam um sistema migratório em transformação, marcado por maior volume de ações de fiscalização, mas com resultados menos consistentes em termos de deportação. Para especialistas, o cenário aponta para uma política mais agressiva na abordagem inicial, porém com fragilidades legais que dificultam a permanência das detenções.

Enquanto isso, comunidades imigrantes seguem vivendo sob um clima de tensão, diante de operações mais frequentes e imprevisíveis, mesmo quando as chances de deportação efetiva são menores.

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