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Revista Brazilian Times # 83
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Ex-militar é acusada de ocultar crimes de guerra para obter cidadania e pode pegar até 10 anos de prisão em CT

O caso reacende o debate sobre a verificação de antecedentes em processos de imigração e os limites da responsabilização por atos cometidos em cenários de conflito armado.


Uma mulher residente no estado de Connecticut, ex-integrante das forças armadas durante a Guerra da Bósnia, pode ser condenada a até 10 anos de prisão nos Estados Unidos após admitir ter omitido crimes de guerra no processo de obtenção da cidadania americana.

Nada Radovan Tomanic, de 53 anos, declarou-se culpada no ano passado por obter naturalização de forma ilegal ao mentir sobre seu passado. A sentença está prevista para ser anunciada em um tribunal federal em Bridgeport.

Segundo promotores federais, Tomanic integrou uma unidade especial do Exército da Bósnia e Herzegovina na década de 1990 e participou de abusos físicos e psicológicos contra prisioneiros civis sérvios-bósnios. As acusações incluem espancamentos com diversos objetos, participação em agressões que resultaram em morte e atos de humilhação extrema, como forçar detentos a abusos sexuais entre si.

De acordo com documentos do processo, testemunhas relataram episódios de violência contínua, além de práticas degradantes, como obrigar prisioneiros a realizar atos religiosos forçados e consumir urina. Em um dos relatos, a acusada teria demonstrado comportamento de escárnio durante agressões ordenadas a outros detentos.

Tomanic chegou aos Estados Unidos como refugiada em 1997 e obteve cidadania americana em 2012. Desde então, construiu vida no estado de Connecticut, onde trabalhou e formou família. No entanto, segundo os promotores, ela teria escondido deliberadamente seu histórico durante o processo de naturalização.

Para a promotoria, a omissão configura um crime grave. Em nota, o procurador federal responsável pelo caso afirmou que ocultar violações de direitos humanos para obter cidadania representa uma infração severa e ressaltou a cooperação internacional na investigação.

A defesa, por outro lado, solicita uma sentença mais leve, como liberdade supervisionada ou tempo já cumprido. O advogado da acusada argumenta que, desde que chegou aos Estados Unidos, ela manteve uma vida sem antecedentes criminais, trabalhando e cuidando da família.

O defensor também contesta parte das acusações mais graves, incluindo a participação em uma morte, e descreve Tomanic como uma soldado de baixo escalão, sem poder de decisão, inserida em um contexto de guerra marcado por violência generalizada.

Segundo a defesa, a ré teve uma infância marcada por abusos e ingressou no exército ainda jovem para fugir de um ambiente familiar violento. O advogado afirma ainda que ela demonstra arrependimento pelas ações cometidas durante o conflito.

Além da pena criminal, Tomanic já perdeu a cidadania americana e poderá ser deportada após o cumprimento da sentença. Caso retorne ao seu país de origem, existe a possibilidade de que enfrente novos processos relacionados a crimes de guerra.

O caso reacende o debate sobre a verificação de antecedentes em processos de imigração e os limites da responsabilização por atos cometidos em cenários de conflito armado.

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