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Revista Brazilian Times # 84
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Brasileira que sofreu violência doméstica na Flórida vai para abrigo e desabafa: “desta vez não vou me calar

O caso reforça a importância do acesso a redes de apoio e proteção para vítimas de violência doméstica, especialmente entre imigrantes, que muitas vezes enfrentam barreiras adicionais para denunciar abusos e buscar justiça.


A brasileira Mila Flores voltou a chamar atenção da comunidade brasileira nos Estados Unidos ao relatar, por meio das redes sociais, um novo episódio de violência doméstica na Flórida. Atualmente acolhida em um abrigo para mulheres — pela segunda vez — ela afirma que decidiu romper o silêncio e colaborar com a Justiça norte-americana.

Segundo Mila, este não é o primeiro caso. Em 2024, ela já havia buscado proteção em um abrigo após sofrer agressões que, de acordo com seu relato, incluíram violência doméstica agravada e até cárcere privado. Na ocasião, no entanto, ela afirma que não conseguiu levar o caso adiante.

“A diferença é que em 2024 eu fui silenciada e agora eu me coloquei à disposição da Justiça”, declarou.

No novo desabafo, Mila fez acusações graves, afirmando que foi coagida e orientada a omitir informações durante o processo anterior. Segundo ela, pessoas próximas ao agressor teriam articulado a contratação de um advogado que a instruiu sobre o que deveria — e o que não deveria — dizer às autoridades. “Eu fui muito coagida, muito manipulada”, afirmou.

Ela também disse que, por orientação recebida na época, não permitiu que a Justiça tivesse acesso completo aos registros médicos do atendimento de emergência. Segundo Mila, caso essas informações tivessem sido analisadas, o agressor não teria sido liberado.

Agora, a brasileira afirma que decidiu colaborar integralmente com as autoridades e buscar a reabertura do caso de 2024, além de apresentar novos elementos, incluindo laudos médicos e registros que, segundo ela, comprovam as agressões.

Mila declarou ainda que já conta com uma equipe jurídica acompanhando o caso e que pretende disponibilizar todos os documentos necessários. “Vou deixar autorizados todos os laudos médicos, desde a primeira internação, em 2024”, explicou.

Ela acrescentou que o episódio mais recente também resultou em violência doméstica, classificada como lesão corporal moderada.

Apesar das dificuldades, Mila afirmou que pretende permanecer nos Estados Unidos durante o andamento do processo judicial. Segundo ela, a decisão também leva em consideração a segurança da família.

A filha da brasileira, de acordo com o relato, ainda está na escola e deve se formar no mês de maio. “Ainda é mais seguro aqui nos Estados Unidos pra nós do que voltar para o Brasil”, disse.

Ao final do desabafo, Mila Flores afirmou que pretende revelar mais detalhes do caso no futuro e classificou sua sobrevivência como um milagre. “Estou viva por milagre de Deus”, declarou.

O caso reforça a importância do acesso a redes de apoio e proteção para vítimas de violência doméstica, especialmente entre imigrantes, que muitas vezes enfrentam barreiras adicionais para denunciar abusos e buscar justiça.

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