O episódio levanta questionamentos sobre a disseminação de informações não verificadas em temas sensíveis como imigração, especialmente em um cenário de forte polarização política nos Estados Unidos.
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Xerife acusa mulher de inventar prisão pelo ICE em llinois e entra com processo por difamação
Um caso que ganhou repercussão nacional nos Estados Unidos pode ter sido baseado em uma falsa alegação de detenção por autoridades de imigração. O xerife do condado de Dodge, Dale Schmidt, no estado de Wisconsin, entrou com uma ação federal por difamação contra uma mulher de Illinois que afirmou ter sido presa por agentes federais — versão agora contestada com base em registros oficiais, imagens de segurança e mensagens de texto.
A ação judicial, que pede US$ 1 milhão em indenização por réu, foi apresentada contra Sundas Naqvi, de 28 anos, além do comissário do condado de Cook, Kevin Morrison, e outras dez pessoas não identificadas que teriam ajudado a divulgar a história.
Naqvi ganhou visibilidade em março após afirmar, junto a familiares e aliados políticos, que havia sido detida por agentes da U.S. Customs and Border Protection e posteriormente transferida para custódia do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), após retornar de uma viagem à Turquia.
Segundo o relato divulgado na época, ela teria permanecido detida por cerca de 30 horas no aeroporto O’Hare, em Chicago, sendo depois levada a instalações federais e, posteriormente, a uma prisão no condado de Dodge, antes de ser liberada.
No entanto, o xerife Dale Schmidt negou categoricamente essa versão. Em coletiva de imprensa, afirmou que Naqvi “nunca foi registrada, detida ou transportada” por sua jurisdição.
De acordo com a investigação apresentada no processo, documentos de hotel indicam que Naqvi fez check-in no Hampton Inn & Suites Rosemont Chicago O’Hare às 13h17 do dia 5 de março — mesma data em que ela alegou ter sido colocada sob custódia federal.
Além disso, mensagens de texto obtidas pelas autoridades mostram que ela solicitava a um conhecido o pagamento de despesas pessoais, incluindo refeições e serviços de spa durante a estadia.
Registros federais indicam que Naqvi permaneceu na área de inspeção secundária do aeroporto O’Hare International Airport por apenas 56 minutos, entre 10h46 e 11h42, e não pelas 30 horas alegadas.
Imagens de vigilância também reforçam a cronologia apresentada pelo xerife, incluindo registros de deslocamento até o estado de Wisconsin, onde ela teria se hospedado em outro hotel antes de deixar o local com a irmã.
O xerife também destacou antecedentes da acusada, apontando que Naqvi já havia se declarado culpada em 2022 por apresentar um falso relatório policial em um caso ocorrido em 2019.
Apesar das evidências reunidas, Schmidt afirmou que não há base legal para acusação criminal em Wisconsin neste caso específico. Ainda assim, o caso foi encaminhado a agências como o FBI e a polícia estadual de Illinois para possível investigação adicional.
Até o momento, Naqvi não se pronunciou publicamente sobre o processo, e seu ex-advogado informou à imprensa que não a representa mais. Já o comissário Kevin Morrison declarou que não pode comentar o caso devido à tramitação judicial.
O episódio levanta questionamentos sobre a disseminação de informações não verificadas em temas sensíveis como imigração, especialmente em um cenário de forte polarização política nos Estados Unidos.
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