A denúncia também reacende o alerta para que imigrantes verifiquem a credibilidade de serviços jurídicos e consultorias, buscando sempre profissionais licenciados e registrados, especialmente em processos sensíveis como os de imigração.
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ENTENDA O “ESQUEMA LEGACY”: Autoridades detalham como funcionavam o golpe
Quatro brasileiros foram acusados pelas autoridades dos Estados Unidos de comandar um esquema de fraude e extorsão que teria lesado centenas de imigrantes, em sua maioria brasileiros, em mais de US$ 20 milhões. As acusações foram anunciadas nesta quarta-feira, dia 22, durante coletiva de imprensa conduzida pelo xerife John Mina, do condado de Orange, na Flórida.
De acordo com as investigações, o grupo operava por meio da empresa Legacy Imigra, fundada por Vagner de Almeida. Também foram formalmente acusados Juliana Colucci, Lucas Felipe Trindade Silva e Ronaldo Decampos.
Segundo as autoridades, o grupo teria construído um modelo de negócios baseado em falsas promessas de regularização imigratória, explorando a vulnerabilidade de estrangeiros em situação irregular no país. “Eles basicamente enriqueceram através de um modelo de negócios baseado em manipulação, fraude, mentiras e extorsão”, afirmou o xerife durante a coletiva.
Promessas falsas e cobranças abusivas
A investigação aponta que a empresa se apresentava como uma agência especializada em imigração, alegando possuir uma equipe de advogados experientes capazes de conduzir processos legais junto às autoridades americanas. No entanto, conforme as denúncias, tais serviços eram inexistentes ou fraudulentos.
Clientes eram induzidos a pagar valores elevados sob a promessa de obtenção de vistos ou regularização de status migratório. Em muitos casos, segundo a polícia, os acusados criavam contas de e-mail em nome das próprias vítimas, sem autorização, para controlar comunicações e informações relacionadas aos supostos processos.
Além disso, documentos pessoais teriam sido retidos como forma de pressão. “A Legacy criou contas de e-mail em nome das vítimas sem o seu conhecimento ou consentimento e, em seguida, reteve documentos, dizendo que elas não receberiam a documentação a menos que pagassem valores adicionais”, detalhou John Mina.
Número de vítimas pode ser maior
Até o momento, sete vítimas colaboraram formalmente com as investigações. No entanto, as autoridades acreditam que o número real de prejudicados seja significativamente maior, podendo envolver centenas de imigrantes.
A polícia também informou que pessoas que tenham sido lesadas pelo esquema e decidirem colaborar com as investigações poderão se qualificar para benefícios migratórios temporários, incluindo vistos específicos que permitem a permanência legal nos Estados Unidos enquanto auxiliam o processo judicial.
Vulnerabilidade explorada
O caso evidencia um padrão recorrente de exploração dentro da comunidade imigrante, especialmente entre aqueles que enfrentam barreiras linguísticas, desconhecimento das leis locais e medo de deportação. Especialistas apontam que esse tipo de fraude se aproveita justamente da urgência e da fragilidade de quem busca regularizar sua situação no país.
As investigações seguem em andamento, e as autoridades reforçam o apelo para que possíveis vítimas procurem os órgãos competentes. O caso deve avançar agora para a Justiça americana, onde os acusados poderão responder por crimes como fraude, conspiração e extorsão.
A denúncia também reacende o alerta para que imigrantes verifiquem a credibilidade de serviços jurídicos e consultorias, buscando sempre profissionais licenciados e registrados, especialmente em processos sensíveis como os de imigração.
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