O caso amplia a pressão sobre o sistema de imigração dos Estados Unidos e levanta questionamentos sobre a proteção de grupos vulneráveis dentro das estruturas de detenção, especialmente diante de denúncias recorrentes envolvendo pessoas LGBTQ+.
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Mulher trans denuncia abusos em centro de detenção do ICE no Arizona
Uma imigrante transgênero que buscava asilo nos Estados Unidos afirma ter sido vítima de maus-tratos, negligência médica e violência enquanto esteve sob custódia do sistema de imigração no estado do Arizona. O caso reacende o debate sobre as condições enfrentadas por pessoas LGBTQ+ em centros de detenção administrados pelo governo federal.
Karla Saenz, de 26 anos, relatou à emissora KVOA, afiliada da NBC em Tucson, que passou mais de um mês detida no Eloy Detention Center, onde, segundo ela, foi colocada em uma ala masculina e submetida a situações de humilhação, assédio e violência sexual.
“Não nos davam comida suficiente, e fiquei uma semana sem poder tomar banho”, afirmou. Saenz também denunciou que teve acesso negado à terapia hormonal durante parte significativa do período em que esteve detida. Segundo ela, a interrupção abrupta do tratamento causou dores físicas intensas e agravamento de sua saúde mental. “Levaram um mês para me dar a medicação”, disse.
A imigrante, que também atua como organizadora do grupo Trans Queer Pueblo, foi presa em março durante uma apresentação de rotina às autoridades migratórias. Ativistas locais alegam que a detenção pode ter sido motivada por sua atuação em defesa de outros imigrantes LGBTQ+.
De acordo com testemunhas, agentes informaram que havia um mandado de prisão contra Saenz, mas não apresentaram o documento no momento da abordagem. Ela foi algemada e levada sob custódia.
Antes da detenção, Saenz havia participado de campanhas públicas pedindo a libertação de Arbella “Yari” Rodríguez Márquez, uma imigrante residente em Phoenix que enfrenta leucemia e cuja saúde teria se deteriorado sob custódia do ICE.
A libertação de Karla Saenz foi determinada neste mês por uma juíza federal, que concluiu que o governo não seguiu seus próprios procedimentos ao efetuar a detenção. A decisão destacou que a prisão foi considerada “arbitrária e caprichosa”, embora não tenha analisado diretamente as denúncias de abuso feitas pela imigrante.
Durante o período em que esteve detida, Saenz afirma ter enfrentado discriminação constante por sua identidade de gênero, além de episódios de violência e assédio sexual.
Natural da Colômbia, ela chegou aos Estados Unidos em 2024 pela fronteira terrestre, onde solicitou asilo após se entregar às autoridades. Em seu pedido, relatou um histórico de perseguição extrema em seu país de origem, incluindo episódios de escravidão, estupros recorrentes e sequestro atribuído às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), grupo classificado pelo governo americano como organização terrorista.
O caso amplia a pressão sobre o sistema de imigração dos Estados Unidos e levanta questionamentos sobre a proteção de grupos vulneráveis dentro das estruturas de detenção, especialmente diante de denúncias recorrentes envolvendo pessoas LGBTQ+.
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