O total de imigrantes que estão abrindo mão de seus pedidos de asilo e optando por sair voluntariamente dos Estados Unidos registrou um forte aumento durante a administração do presidente Donald Trump. Enquanto o governo afirma que os números refletem o fortalecimento das leis de imigração, especialistas e defensores dos direitos dos imigrantes dizem que a alta pode estar ligada às duras condições enfrentadas nos centros de detenção.
Publicidade
Publicidade
Número de migrantes que desistem do asilo e deixam os EUA voluntariamente cresce durante governo Trump
O total de imigrantes que estão abrindo mão de seus pedidos de asilo e optando por sair voluntariamente dos Estados Unidos registrou um forte aumento durante a administração do presidente Donald Trump. Enquanto o governo afirma que os números refletem o fortalecimento das leis de imigração, especialistas e defensores dos direitos dos imigrantes dizem que a alta pode estar ligada às duras condições enfrentadas nos centros de detenção.
Dados do Vera Institute of Justice, analisados pelo Washington Post, mostram que mais de 80 mil ordens de “saída voluntária” foram emitidas por juízes de imigração entre janeiro de 2025 e março de 2026. O número representa um crescimento superior a 600% em comparação com os 11,4 mil registros feitos nos últimos 15 meses da gestão do ex-presidente Joe Biden.
Os números continuam aumentando. Em março deste ano, mais de 9 mil imigrantes aceitaram deixar o país voluntariamente. Já em julho, foram 6.370 casos. Durante a segunda metade do governo Biden, a média mensal era de aproximadamente 750 pessoas.
Ainda não há confirmação sobre quantos desses casos fazem parte do programa de “autodeportação” incentivado por Trump. A iniciativa permite que imigrantes se apresentem voluntariamente por meio de um aplicativo do Departamento de Segurança Interna (DHS) em troca de ajuda financeira e passagem aérea gratuita para retornar ao país de origem.
A chamada saída voluntária é autorizada por um juiz para imigrantes que decidem encerrar seus processos de asilo. Diferentemente da deportação formal, essa modalidade não gera uma ordem oficial de remoção, o que pode facilitar futuras tentativas de retorno legal aos Estados Unidos.
Para se qualificar, o imigrante não pode possuir antecedentes criminais graves e, normalmente, precisa arcar com os próprios custos da viagem de retorno.
Segundo os dados, mais de 70% dos migrantes que aceitaram a saída voluntária durante o governo Trump estavam detidos em centros de imigração. Organizações de defesa dos imigrantes afirmam que muitos estão desistindo dos processos apenas para escapar das condições da detenção.
“As pessoas estão escolhendo essa alternativa porque querem sair da detenção o mais rápido possível e não enxergam chances reais de obter algum tipo de proteção”, declarou Shayna Kessler, diretora do Vera Institute, ao Washington Post.
O governo Trump, por outro lado, afirma que os dados demonstram que a política de combate à imigração ilegal está funcionando conforme planejado.
“Biden e o então secretário Alejandro Mayorkas permitiram irresponsavelmente a entrada de milhões de imigrantes ilegais sem a devida verificação nas comunidades americanas”, afirmou um porta-voz do DHS ao jornal.
“O presidente Trump e o secretário Mullin agora estão aplicando a lei da maneira como ela foi criada para proteger os Estados Unidos.”
Publicidade




