Em 2021, esse número chegou a aproximadamente 100 mil pessoas.
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Mais de 17 mil brasileiros aguardam deportação nos EUA, diz Ministério dos Direitos Humanos
Mais de 17 mil brasileiros atualmente detidos nos Estados Unidos aguardam deportação, segundo dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Desde janeiro de 2025, início do novo mandato do presidente Donald Trump, até o dia 30 de abril deste ano, 4.199 brasileiros já foram deportados pelo Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), agência responsável pela fiscalização imigratória norte-americana.
De acordo com o levantamento, ao menos 51 voos fretados pelo governo norte-americano desembarcaram no Brasil transportando deportados, principalmente no Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais. A escolha do terminal foi resultado de negociações diplomáticas, já que aproximadamente metade dos brasileiros deportados são mineiros. Rondônia aparece em seguida, com 11%, enquanto São Paulo representa cerca de 10% dos casos.
Os dados fazem parte do programa federal “Aqui É Brasil”, criado para acompanhar brasileiros deportados e auxiliar na reinserção social e econômica dessas pessoas no país. O perfil identificado mostra que 85% dos deportados são homens e 93% viajaram sozinhos para os Estados Unidos. A maioria é formada por jovens entre 18 e 39 anos.
A pesquisa também aponta que 42% dos deportados concluíram o ensino médio e que grande parte trabalhava em jornadas superiores a oito horas diárias em estados americanos como Massachusetts, Nova York, Nova Jersey e Flórida.
Segundo a Ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, o aumento acelerado das deportações levou o governo brasileiro a ampliar ações de acolhimento.
“No início, os voos com deportados brasileiros vinham uma vez por mês, depois passaram a ocorrer a cada 15 dias e agora são semanais”, afirmou a ministra ao comentar o crescimento das operações de deportação.
O programa “Aqui É Brasil” oferece apoio logístico para retorno às cidades de origem, emissão de documentos, atendimento em saúde, contato com familiares e até políticas de microcrédito e capacitação profissional para deportados que tentam recomeçar a vida no Brasil.
O ministério também informou que vem monitorando possíveis violações de direitos humanos durante os processos de deportação realizados pelas autoridades dos EUA.
De acordo com uma reportagem publicada pelo O Globo, um dos relatos citados é o do mineiro Gilson Dias de Andrade, de 47 anos, natural de Governador Valadares. Ele entrou ilegalmente nos Estados Unidos em 2021 com a esposa e as duas filhas após contratar um esquema conhecido entre imigrantes brasileiros como “cai-cai”, operado por coiotes especializados em travessias clandestinas.
Segundo Andrade, a família pagou cerca de US$ 32 mil para chegar ao México e seguir até a fronteira do Arizona. Após se entregar à patrulha de fronteira, ele passou alguns dias detido e depois foi liberado com tornozeleira eletrônica enquanto aguardava audiência migratória. A família seguiu para a Flórida, onde ele passou a trabalhar informalmente na construção civil.
Anos depois, Gilson acabou preso após uma abordagem policial de trânsito e foi entregue ao ICE. Durante quatro meses, passou por nove centros de detenção em diferentes estados americanos antes de ser deportado em novembro do ano passado. Desde então, permanece separado da esposa e das filhas, que continuaram vivendo nos Estados Unidos.
Ele também relatou condições precárias durante o período em que esteve detido. “A comida nessas prisões era muito ruim. Tive muita diarreia e perdi oito quilos”, contou.
O Itamaraty estima que aproximadamente 2,9 milhões de brasileiros vivam atualmente nos Estados Unidos. Desse total, cerca de 250 mil estariam em situação irregular, segundo dados da instituição americana Pew Research.
Especialistas apontam que o endurecimento das políticas imigratórias americanas, aliado ao crescimento das redes internacionais de contrabando de pessoas, contribuiu para o aumento expressivo da migração irregular de brasileiros nos últimos anos.
Segundo o conselheiro do Itamaraty Bruno Abreu, em 2009 apenas cerca de 900 brasileiros eram interceptados anualmente na fronteira americana. Em 2021, esse número chegou a aproximadamente 100 mil pessoas.
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