O polêmico centro de detenção de imigrantes conhecido como “Alligator Alcatraz”, localizado na região dos Everglades, no sul da Flórida, pode estar entrando em processo de desativação, segundo afirmou o deputado federal democrata Maxwell Frost após uma nova visita ao local nesta terça-feira. Apesar das declarações, o governo da Flórida ainda não confirmou oficialmente o fechamento da unidade.
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Deputado da Flórida afirma que centro de detenção “Alligator Alcatraz” pode estar sendo desativado
O polêmico centro de detenção de imigrantes conhecido como “Alligator Alcatraz”, localizado na região dos Everglades, no sul da Flórida, pode estar entrando em processo de desativação, segundo afirmou o deputado federal democrata Maxwell Frost após uma nova visita ao local nesta terça-feira. Apesar das declarações, o governo da Flórida ainda não confirmou oficialmente o fechamento da unidade.
Durante a inspeção, Frost declarou que percebeu sinais claros de redução das operações no centro de detenção, que se tornou símbolo da política imigratória rígida adotada pelo estado da Flórida.
“Está óbvio para mim que a instalação está sendo encerrada”, afirmou o congressista democrata de Orlando em entrevista à emissora WESH 2 News.
Segundo Frost, diferentemente das visitas anteriores, a área de processamento estava praticamente vazia e nenhum novo detento estaria sendo recebido no local.
De acordo com o parlamentar, atualmente restariam cerca de 655 imigrantes detidos na unidade — número significativamente menor que os aproximadamente 1.400 presos registrados algumas semanas atrás. Ele também afirmou que muitos dos detidos restantes estariam sendo transferidos para centros do ICE em outros estados americanos.
“A equipe usava expressões como ‘estamos desacelerando’ e ‘desmontando as operações’. Disseram tudo, menos que estão fechando”, declarou Frost.
O centro ganhou notoriedade após denúncias envolvendo superlotação, condições precárias e possíveis violações de direitos humanos. Um dos relatos é o do venezuelano Carlos Garcia, de 43 anos, que passou cerca de três semanas sob custódia do ICE após uma abordagem policial perto de Tampa.
Segundo Garcia, ele nem sequer estava dirigindo no momento em que um policial da Florida Highway Patrol verificou sua documentação.
“Cooperei com o policial estadual e depois fui detido. Disseram que eu precisava acompanhá-los porque havia um problema com minha documentação”, contou.
Garcia descreveu as condições dentro do “Alligator Alcatraz” como extremamente difíceis. Segundo ele, cerca de 32 pessoas viviam em cada cela, com banheiros localizados no meio do espaço compartilhado pelos detentos.
A advogada de imigração Laura Quintero afirmou que muitos de seus clientes foram transferidos da unidade para outros centros de detenção pelo país. Ela destacou que a maioria dos imigrantes detidos não possui antecedentes criminais.
“A maioria dos nossos clientes não tem condenações criminais nem qualquer histórico criminal. Muitos apenas ultrapassaram o prazo do visto ou entraram irregularmente pela fronteira”, explicou.
Quintero também relatou dificuldades para localizar clientes após transferências interestaduais realizadas pelo ICE. Segundo ela, Garcia chegou a desaparecer temporariamente do sistema após ser levado para a Califórnia, o que dificultou audiências relacionadas à sua libertação.
Mesmo diante das críticas, autoridades estaduais insistem que as operações continuam ativas. O diretor da Divisão de Gerenciamento de Emergências da Flórida, Kevin Guthrie, declarou recentemente que o centro sempre foi planejado como uma solução temporária e afirmou que não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre o fechamento da unidade.
O governador Ron DeSantis também voltou a defender publicamente o funcionamento do centro e as operações de deportação realizadas desde sua inauguração, em julho do ano passado. Segundo ele, mais de 22 mil imigrantes já passaram pelo processo de deportação a partir da instalação.
Durante um evento em Titusville, DeSantis justificou a política afirmando que criminosos em situação irregular não deveriam permanecer nas comunidades americanas.
O caso continua gerando forte debate político nos Estados Unidos, especialmente entre defensores dos direitos dos imigrantes e autoridades republicanas favoráveis ao endurecimento das políticas migratórias.
Maxwell Frost afirmou que pretende pressionar por investigações sobre contratos estaduais relacionados ao funcionamento do centro, possíveis violações de direitos humanos e impactos ambientais causados pela instalação nos Everglades. “Esse foi um experimento vergonhoso e trágico baseado no sofrimento humano”, declarou o congressista.
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