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Revista Brazilian Times # 84
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Deputado busca proteger áreas históricas e ambientais da construção do muro na fronteira dos EUA

O deputado federal Henry Cuellar, representante do Texas, trabalha para que importantes áreas históricas, ambientais e culturais do Vale do Rio Grande voltem a ser excluídas dos projetos de construção do muro na fronteira entre Estados Unidos e México.

O deputado federal Henry Cuellar, representante do Texas, trabalha para que importantes áreas históricas, ambientais e culturais do Vale do Rio Grande voltem a ser excluídas dos projetos de construção do muro na fronteira entre Estados Unidos e México.

Segundo Cuellar, foram iniciadas negociações com parlamentares republicanos do Comitê de Apropriações da Câmara para incluir, no orçamento do Departamento de Segurança Interna (Homeland Security) para 2027, uma emenda que restabeleça proteções anteriormente concedidas pelo Congresso.

Caso a proposta seja aprovada, locais como o Bentsen-Rio Grande Valley State Park, a Capela La Lomita, o National Butterfly Center, o Refúgio Nacional de Vida Selvagem Santa Ana, cemitérios históricos e até áreas próximas às instalações da SpaceX voltarão a ficar isentos da construção do muro.

“Isso ainda não está definido, mas conseguimos inserir uma linguagem no projeto para impedir que recursos federais, inclusive os previstos na One Big Beautiful Bill, sejam utilizados nessas áreas protegidas”, afirmou Cuellar durante entrevista concedida na quarta-feira.

Apesar do avanço, a proposta ainda deverá passar pela votação do Congresso, o que pode levar alguns meses.

Enquanto isso, as obras previstas para o Refúgio Nacional de Vida Selvagem Santa Ana devem seguir normalmente. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) informou que pretende iniciar a construção do muro ainda neste mês.

Os recursos destinados às novas barreiras fazem parte dos US$ 46,5 bilhões aprovados na One Big Beautiful Bill Act, sancionada pelo presidente Donald Trump em 4 de julho. A legislação não incluiu exceções para áreas de preservação ambiental ou patrimônios históricos.

Localizado em Alamo, no Texas, o Refúgio Santa Ana é considerado um dos principais destinos de observação de aves e ecoturismo do país. O projeto prevê que a barreira seja construída sobre um dique situado ao sul do centro de visitantes, bloqueando o acesso a diversas trilhas.

Em publicação feita nas redes sociais no mês passado, a administração do Santa Ana National Wildlife Refuge informou que o dique permanecerá fechado durante boa parte do verão devido às obras.

Durante audiência no Comitê de Apropriações realizada em junho, Cuellar defendeu uma emenda para preservar as proteções existentes desde 2019.

“O Congresso já reconheceu anteriormente que essas áreas merecem tratamento diferenciado. Estamos tentando garantir que essa proteção continue valendo”, afirmou o parlamentar.

A CBP, por sua vez, informou que o projeto prevê a construção de um muro de concreto reforçado com painéis de aço de aproximadamente nove metros de altura. Segundo a agência, a iniciativa busca fortalecer a segurança da fronteira e reduzir as entradas irregulares em uma das regiões consideradas prioritárias pelas autoridades federais.

A agência também afirmou que continua coordenando o planejamento das obras com o National Park Service, o Departamento de Parques e Vida Selvagem do Texas e outras instituições estaduais e federais.

O Refúgio Santa Ana integra um corredor ecológico composto por mais de 60 áreas de preservação ao longo do Rio Grande, estendendo-se da Represa Falcon, no condado de Starr, até Brownsville, no Golfo do México.

Organizações ambientais criticam o projeto e afirmam que a obra poderá causar impactos permanentes na fauna, na vegetação e em comunidades históricas da região.

Para Gloria Galindo, integrante do grupo Friends of Salineño, a construção representa um retrocesso ambiental.

“Depois de mais de oito décadas de esforços para preservar essa região, ver o muro, arames e outras barreiras dividindo esses habitats é profundamente lamentável. Até mesmo a histórica comunidade de Salineño ficará isolada. É uma destruição difícil de justificar”, declarou.

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