Let’s be real. O prazo limite para a decisão de Washington sobre a aplicação de uma tarifa de 25% sobre boa parte das importações brasileiras chegou ao fim [1]. Se a medida for confirmada, o Brasil saltará da 13ª para a 2ª posição entre os países mais taxados pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China [2].
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Coluna Tiago Prado: A tarifa de 25% e o risco que a maioria dos exportadores não escolheu correr
Let’s be real. O prazo limite para a decisão de Washington sobre a aplicação de uma tarifa de 25% sobre boa parte das importações brasileiras chegou ao fim [1]. Se a medida for confirmada, o Brasil saltará da 13ª para a 2ª posição entre os países mais taxados pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China [2].
Para quem exporta do Brasil, esse tipo de manchete não é apenas uma notícia econômica; é um risco estrutural brutal. Da noite para o dia, o custo do seu produto pode mudar significativamente por uma decisão de política comercial tomada em outro país, completamente fora do seu controle.
What is the actual constraint here? O gargalo não é a qualidade do produto brasileiro ou a competência de quem o produz. O problema é a geografia do seu CNPJ.
Esse risco de canetada alfandegária simplesmente não existe da mesma forma para quem é dono de um negócio operando dentro dos Estados Unidos. Uma empresa americana que fatura em dólar, compra insumos locais e vende dentro do próprio mercado não paga tarifa de importação sobre a própria operação.
Isso não é uma crítica ao Brasil, nem uma aposta contra o país. É um princípio básico de alocação de capital: quando uma variável de risco (como uma tarifa de 25%) está completamente fora do seu controle, a decisão racional de um operador sério é reduzir sua exposição a ela, não torcer e rezar para que ela não aconteça.
Para o empresário brasileiro que pensa em internacionalizar, essa é a diferença fundamental entre vender para os Estados Unidos e possuir ativos dentro dos Estados Unidos.
Como tenho falado ao analisar a Economia em K, o mercado recompensa quem tem estrutura e pune quem está exposto a ventos contrários. O mercado de trabalho americano e o ambiente de negócios local protegem quem gera emprego e valor internamente.
Se você quer acessar o maior mercado consumidor do mundo sem ficar refém de acordos bilaterais e prazos políticos, você precisa mudar a sua tese. Pare de tentar exportar o seu produto. Comece a estruturar a sua operação em solo americano.
E não há clareza quando a sua margem de lucro depende da assinatura de um burocrata em Washington.
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