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Edição MA 4386

Última Edição #4386

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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 85
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Time de elite analisa a Copa 2026

Marcelo Gonçalves, Rodrigo Costa, Reinaldo Lima (Rei), João Farias e Bresley Pascoal avalia participação do Brasil e resultado da competição

Rodrigo Costa, ex jogador profissional e jornalista esportivo
Reinaldo Lima, ídolo e artilheiro do Clube Atlético Mineiro e ex atacante da Seleção
João Farias, ex jogador profissional, treinador do IFA New England e assistente técnico da Fitchburg State University
Bresley Pascoal, CEO da Brazil Elite Soccer Academy

A Copa do Mundo chegou ao fim, e o jornal Brazilian Times convidou um time de especialistas para comentar o legado do maior evento esportivo mundial, realizado em três países: Estados Unidos, Canadá e México. Entre os temas analisados estão os erros e os acertos da Seleção Brasileira, o jogador que mais se destacou e o legado da Copa de 2026.

O encerramento da Copa foi marcado por uma cerimônia incrível. Apesar de o Brasil não ter chegado à final, nosso país continua soberano e respeitado pelas cinco estrelas. Esse respeito foi demonstrado em uma bela homenagem ao Rei Pelé, a Ronaldinho Gaúcho e a Ronaldo Fenômeno, que participaram do show de Madonna, uma das maiores cantoras pop norte-americanas.

Para analisar os principais acontecimentos da competição, o jornal Brazilian Times convidou quem entende do assunto: Marcelo Gonçalves, ex-jogador da Seleção Brasileira, gestor e mentor de atletas; Reinaldo Lima, ídolo e artilheiro do Clube Atlético Mineiro e ex-atacante da Seleção; Rodrigo Costa, ex-jogador profissional e jornalista esportivo; Bresley Pascoal, CEO da Brazil Elite Soccer Academy; e João Farias, ex-jogador profissional, treinador do IFA New England e assistente técnico da Fitchburg State University.

Com trajetórias distintas dentro do futebol, os entrevistados apresentaram análises que se encontraram em diversos pontos. Todos reconheceram a grandiosidade da Copa, avaliaram que o Brasil esteve abaixo das expectativas e ressaltaram que o futebol moderno exige planejamento, organização, continuidade e trabalho coletivo.

Uma Copa histórica dentro e fora dos estádios

Para Marcelo Gonçalves, que disputou a Copa do Mundo de 1998 pela Seleção Brasileira, a edição de 2026 alcançou uma dimensão jamais vista anteriormente.

O ex-jogador acompanhou partidas do Brasil nos estádios da Filadélfia e de Miami e descreveu o ambiente como emocionante, tanto dentro quanto fora das arenas.

“Sem dúvida, essa foi a maior Copa do Mundo de todos os tempos. Eu tive a felicidade de jogar a Copa de 1998 com a Seleção Brasileira e, agora, pude viver mais uma Copa como torcedor. Foi um ambiente incrível. Estar com torcedores do mundo inteiro, dentro e fora dos estádios, foi muito bacana”, afirmou Gonçalves.

Na avaliação do ex-zagueiro, o aumento para 48 seleções não prejudicou a qualidade da disputa. Pelo contrário, a competição apresentou um padrão técnico elevado, muitos gols e uma campeã que confirmou sua superioridade ao longo do torneio.

“A Copa vai ficar para a história não apenas por ter sido realizada nos Estados Unidos, com toda a estrutura que o país possui, mas também pelo nível técnico. A Espanha foi campeã com uma campanha fantástica e merecida”, destacou.

O ex-jogador Reinaldo Lima também viveu a emoção de acompanhar o Brasil em mais uma Copa do Mundo. Participante da edição de 1978, ele esteve igualmente presente nas Copas da Itália, em 1990, e da França, em 1998.

Em 2026, Reinaldo assistiu no estádio à partida entre Brasil e Noruega, que terminou com a eliminação da Seleção Brasileira.

“É sempre emocionante acompanhar a Seleção Brasileira em um jogo de Copa do Mundo. Tive o prazer de jogar em 1978 e de acompanhar outras edições. Infelizmente, nesta Copa, assisti apenas ao jogo contra a Noruega, no qual acabamos eliminados”, relatou.

Rodrigo Costa acompanhou a competição sob a perspectiva de jornalista esportivo. Além dos jogos do Brasil, ele percorreu diferentes cidades, assistiu a partidas de outras seleções e vivenciou aproximadamente 40 dias de intensa cobertura pela “Nossa Rádio”.

“A Copa do Mundo é um espetáculo que vai muito além do futebol. É uma grande confraternização entre povos e culturas. Ver torcedores de diferentes países convivendo em harmonia, comemorando juntos e compartilhando essa paixão pelo esporte foi algo realmente marcante”, afirmou.

João Farias avaliou que a Copa foi um sucesso esportivo e de público. “O aumento no número de seleções trouxe equipes que muitos torcedores ainda não conheciam. Essas seleções contribuíram de forma muito positiva, trazendo um sentimento de alegria e oportunidade e tornando a Copa ainda mais global”, analisou.

Brasil fica abaixo das expectativas

Apesar da festa proporcionada pela Copa, o desempenho da Seleção Brasileira deixou um sentimento de frustração. Eliminado pela Noruega nas oitavas de final, o Brasil não conseguiu transformar a qualidade individual de seus jogadores em um conjunto competitivo e eficiente.

Marcelo Gonçalves avaliou que a Seleção esteve muito abaixo do que se esperava. A coincidência histórica de a Copa ser novamente disputada nos Estados Unidos, 24 anos depois do último título brasileiro, alimentou a esperança de que o país pudesse repetir o feito de 1994. Naquela ocasião, o Brasil também estava há 24 anos sem conquistar o Mundial e terminou campeão.

“A superstição do brasileiro aumentou a nossa esperança, mas o que vimos dentro de campo esteve muito abaixo do esperado. A Seleção não conseguiu se impor, não mostrou um padrão de jogo e criou poucas situações ofensivas, considerando a qualidade dos jogadores que possui”, avaliou.

Rodrigo Costa observou que o Brasil chegou à competição desfalcado e sem o mesmo poder de intimidação de gerações anteriores. Embora muitos jogadores atuassem em grandes clubes da Europa, faltava entrosamento para que a equipe fosse considerada uma das principais favoritas. “O peso da camisa sempre faz do Brasil uma seleção respeitada, mas não vivíamos o nosso melhor momento. A equipe teve alguns bons desempenhos individuais, especialmente de Vini Júnior e Bruno Guimarães, porém faltou uma atuação coletiva consistente”, explicou.

Reinaldo Lima foi direto ao avaliar a campanha brasileira. “O desempenho foi muito ruim, mas isso não chegou a surpreender. O Brasil vive uma crise de identidade e não consegue fazer aquilo que sempre foi um diferencial da escola brasileira de futebol: o drible e a criatividade dos seus atletas”, declarou.

João Farias considerou que o Brasil poderia ter avançado mais, embora não estivesse entre os principais favoritos ao título. “O desempenho foi abaixo do esperado. Tivemos dificuldades no início da competição e a equipe melhorou aos poucos, mas uma eliminação nas oitavas de final não pode ser considerada um bom resultado”, afirmou.

Segundo ele, a principal fragilidade brasileira foi a falta de eficiência nos momentos decisivos.

Formação, planejamento e identidade

Bresley Pascoal avaliou que a Copa de 2026 confirmou uma profunda evolução do futebol mundial. As seleções mais bem-sucedidas foram justamente aquelas que chegaram ao torneio com uma identidade definida e um planejamento construído durante vários anos. “Não foi uma Copa decidida apenas pelo talento individual. Foi uma competição definida principalmente pelo trabalho coletivo, pela metodologia e pelo planejamento. O futebol moderno mostrou que a improvisação já não é suficiente”, afirmou.

Para o CEO da Brazil Elite Soccer Academy, o Brasil continua revelando jogadores talentosos, mas não possui um projeto consolidado que conecte as categorias de base à Seleção principal. “Enquanto outros países trabalham dentro de uma mesma filosofia por muitos anos, o Brasil vive de mudanças constantes de treinadores, conceitos e estilos de jogo. Isso dificulta a criação de uma identidade”, explicou.

A permanência de Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira foi um dos principais pontos debatidos pelos entrevistados. De maneira geral, todos reconheceram que um trabalho consistente necessita de tempo e que mudanças constantes impedem a construção de uma identidade.

Marcelo Gonçalves concordou com a importância da longevidade de um treinador no comando da Seleção. Entretanto, apresentou uma ressalva importante: para ele, o Brasil possui profissionais nacionais com competência para exercer a função.

Gonçalves argumentou que todas as seleções campeãs mundiais foram dirigidas por treinadores de seus próprios países e lembrou que os cinco títulos brasileiros foram conquistados por técnicos nacionais.

Entre os jogadores brasileiros, Vini Júnior foi o nome mais citado pelos especialistas. No cenário mundial, diferentes gerações dividiram os holofotes.

Para Bresley Pascoal, Lamine Yamal foi o grande símbolo da Copa. Além do talento, o jovem espanhol demonstrou maturidade, inteligência tática e personalidade. “Ele representa uma geração que chega ao futebol profissional muito mais preparada, porque passou por um processo de formação estruturado. Sua trajetória mostra a importância da metodologia, do desenvolvimento individual e da paciência”, afirmou.

João Farias destacou diversos nomes. No campo social, chamou sua atenção a história de Vozinha, goleiro de Cabo Verde, que ganhou enorme projeção durante a competição e conquistou seguidores nas redes sociais.

No aspecto esportivo, João mencionou Mbappé, artilheiro do torneio; Lamine Yamal, uma das maiores promessas do futebol mundial; e Lionel Messi, que, aos 39 anos, continuou sendo decisivo na campanha da Argentina até a final.

A conquista da Espanha foi considerada justa e merecida pelos entrevistados. A seleção europeia apresentou um futebol coletivo, organizado e eficiente, resultado de um trabalho desenvolvido durante vários anos.

Mais do que estádios cheios, recordes, gols e resultados, a Copa do Mundo de 2026 deixou como principal legado a confirmação de que o futebol continua sendo uma poderosa linguagem universal. A competição mostrou que a diversidade pode fortalecer o esporte, que a união entre povos é possível e que planejamento, formação, disciplina e continuidade são indispensáveis para alcançar grandes resultados. Para o Brasil, ficou a necessidade de reconstruir sua identidade, valorizar seus talentos, investir nas categorias de base e estabelecer um projeto duradouro para a Seleção.

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