Da redação
O cantor Netinho, um dos nomes mais conhecidos da música baiana e do axé brasileiro, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador, na Bahia. O artista enfrentava havia mais de um ano um câncer do sistema linfático, diagnosticado como linfoma não Hodgkin do tipo B.
Segundo informações atribuídas à assessoria do cantor, o quadro clínico apresentou complicações graves, evoluindo para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Dono de uma trajetória marcada por sucessos que atravessaram gerações, Netinho conquistou projeção nacional durante a expansão do axé music, especialmente na década de 1990, quando o gênero ganhou espaço nas rádios, na televisão e nos grandes eventos musicais do país.
Canções como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Estrela Primeira” se tornaram marcas de sua carreira e ajudaram a levar a música baiana para públicos de diferentes regiões do Brasil e também do exterior.
A trajetória do artista também foi marcada por desafios relacionados à saúde. Em 2013, Netinho enfrentou um período de internação e recuperação após sofrer três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), episódio que provocou grande preocupação entre fãs e pessoas próximas.
Nos anos seguintes, o cantor continuou sendo lembrado por sua contribuição à música brasileira e pela forte identificação de seu repertório com o Carnaval e as festas populares.
Natural de Santo Antônio de Jesus, na Bahia, Netinho iniciou sua trajetória musical na década de 1980 e ganhou destaque como vocalista da Banda Beijo. Em 1987, passou a integrar o grupo, que se tornaria uma das referências do axé music.
Na década seguinte, iniciou carreira solo e ampliou sua popularidade. O sucesso “Milla”, lançado em 1996, transformou-se em um dos grandes hinos do Carnaval brasileiro. O cantor também teve músicas incluídas em trilhas sonoras de novelas, conquistando públicos além dos circuitos de festas e trios elétricos.
A projeção internacional também fez parte de sua história. Em 1990, Netinho participou de uma apresentação de trio elétrico na Itália, durante a Copa do Mundo, ajudando a divulgar a música baiana fora do Brasil.
Netinho havia sido diagnosticado com linfoma não Hodgkin em 2025. Após passar por tratamento, enfrentou uma recidiva da doença e voltou a ser internado no fim de setembro de 2026, no Hospital Aliança Star, em Salvador.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a assessoria informou que o cantor enfrentou os últimos meses com serenidade e gratidão pelo carinho recebido ao longo da carreira.
A equipe também compartilhou uma mensagem deixada pelo artista durante o tratamento, na qual ele dizia sentir-se realizado pela vida e pelas alegrias proporcionadas aos fãs.
Por desejo expresso de Netinho, o velório e a cremação serão realizados de maneira reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos. A assessoria pediu respeito à privacidade das pessoas próximas neste momento de luto.
A morte de Netinho encerra uma trajetória de quase quatro décadas dedicada à música. Sua voz e seus sucessos permanecem associados a uma época de grande expansão do axé, quando a música baiana conquistou o Brasil e ganhou reconhecimento internacional.





