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Revista Brazilian Times # 83
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Arizona aprova contratação de 100 novos policiais estaduais e metade atuará em operações ligadas à segurança de fronteira

Enquanto autoridades estaduais defendem os investimentos como ferramentas para enfrentar o tráfico de drogas e a atuação de cartéis, grupos de direitos civis alertam para possíveis impactos sobre comunidades imigrantes e para o uso crescente de recursos públicos em ações relacionadas à fiscalização migratória.


A governadora do Arizona, Katie Hobbs, chegou a um acordo orçamentário com legisladores republicanos que prevê a contratação de 100 novos policiais estaduais, sendo que metade deles será destinada a operações relacionadas à segurança de fronteira e ao combate a atividades criminosas associadas à imigração irregular.

A medida integra o orçamento estadual de US$ 18,3 bilhões para o próximo ano fiscal e faz parte das negociações realizadas para evitar uma paralisação do governo antes do prazo de 30 de junho. O pacote também inclui cortes de impostos estimados em US$ 1,45 bilhão e investimentos em segurança pública.

Dos recursos aprovados, US$ 14,2 milhões serão destinados ao Departamento de Segurança Pública do Arizona (DPS) para a contratação dos novos agentes. Segundo o texto orçamentário, 50 desses policiais irão reforçar as operações da unidade conhecida como Gang and Immigration Intelligence Team Enforcement Mission (GIITEM), especializada no combate a organizações criminosas, tráfico de drogas e contrabando humano.

O documento estabelece que os novos agentes poderão atuar em investigações relacionadas à imigração ilegal, apoio a autoridades locais em casos envolvendo contratação de imigrantes sem autorização legal para trabalhar no país, aplicação de leis estaduais ligadas à imigração e colaboração em ações de segurança de fronteira.

Apesar da redação do orçamento mencionar atividades relacionadas à imigração, o gabinete da governadora enfatizou que o estado não participará de operações federais de deportação em massa nem de ações indiscriminadas contra imigrantes.

Em comunicado oficial, o porta-voz de Hobbs, Christian Slater, afirmou que a administração estadual continuará concentrando esforços no combate ao tráfico de drogas, ao contrabando de pessoas e às operações de cartéis que atuam na região da fronteira.

“A posição da governadora permanece a mesma: o Estado do Arizona não participa e não financiará deportações em massa, detenções indiscriminadas de imigrantes ou violações de direitos constitucionais”, declarou Slater.

A administração também destacou que os novos agentes terão atuação voltada principalmente para operações de interceptação de drogas e combate ao crime organizado, e não para a execução direta das leis federais de imigração.

Essa posição é semelhante à defendida anteriormente pelo diretor do Departamento de Segurança Pública do Arizona, coronel Jeffrey Glover. Em declarações feitas no ano passado, ele ressaltou que a aplicação das leis de imigração é uma responsabilidade do governo federal e não das autoridades estaduais. Segundo ele, os policiais estaduais apenas notificam parceiros federais quando encontram pessoas em situação migratória irregular durante investigações criminais.

Além dos recursos destinados ao GIITEM, o orçamento reserva outros US$ 13,2 milhões para programas de apoio à segurança de fronteira. Os recursos poderão ser utilizados para financiar posições em agências locais de segurança, operações de combate ao tráfico de drogas, contrabando humano e outros crimes relacionados à fronteira.

O programa também prevê a concessão de subsídios a cidades, condados e departamentos de polícia para custear investigações, processos judiciais, detenções e aquisição de equipamentos tecnológicos voltados à segurança pública.

A aprovação do orçamento, no entanto, gerou críticas de organizações de defesa dos direitos dos imigrantes. O grupo Living United for Change in Arizona (LUCHA) afirmou que recursos estaduais não deveriam ser utilizados em programas ligados à fiscalização migratória.

Representantes da entidade argumentam que os valores poderiam ser direcionados para áreas como habitação, saúde, assistência alimentar e programas sociais. Ainda assim, a organização reconheceu que o financiamento total destinado ao GIITEM não foi ampliado em relação ao ano anterior e destacou a redução de US$ 5 milhões em outro fundo estadual voltado ao apoio de operações na fronteira.

O debate reflete a complexidade do tema no Arizona, estado que há décadas ocupa posição central nas discussões nacionais sobre imigração, segurança de fronteira e combate ao crime organizado. Enquanto autoridades estaduais defendem os investimentos como ferramentas para enfrentar o tráfico de drogas e a atuação de cartéis, grupos de direitos civis alertam para possíveis impactos sobre comunidades imigrantes e para o uso crescente de recursos públicos em ações relacionadas à fiscalização migratória.

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