Um brasileiro de 22 anos, residente em Milford, Massachusetts, declarou-se culpado na Justiça Federal dos Estados Unidos por transporte e posse de material de abuso sexual infantil (CSAM, na sigla em inglês). A confissão ocorreu no final de agosto, no Tribunal Federal de Worcester.
João Carlos Tavares da Silva admitiu as duas acusações perante a Justiça. A juíza federal Margaret R. Guzman marcou a sentença para 29 de janeiro de 2027. O brasileiro havia sido preso e formalmente acusado em janeiro deste ano.
Segundo a Procuradoria dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts, a investigação revelou que o material encontrado com Tavares Da Silva retratava a exploração sexual de uma vítima menor de idade identificada no Brasil. As autoridades afirmam que as imagens foram produzidas pelo próprio brasileiro ainda no país e posteriormente levadas para os Estados Unidos em um telefone celular quando ele se mudou para Massachusetts, em maio de 2025.
Durante uma busca realizada na residência do brasileiro em Milford, investigadores apreenderam diversos dispositivos eletrônicos. O material de abuso sexual infantil foi localizado em um dos aparelhos examinados pelas autoridades.
O caso também possui desdobramentos no Brasil. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, Tavares Da Silva possui um mandado de prisão pendente no Brasil relacionado a acusações que incluem estupro de vulnerável e crimes envolvendo produção, reprodução, gravação e comercialização de material sexual explícito com crianças ou adolescentes. O comunicado americano descreve essas acusações como objeto do mandado brasileiro; não informa condenação no Brasil por esses crimes.
A acusação federal de transporte de material de abuso sexual infantil prevê pena mínima obrigatória de cinco anos e máxima de 20 anos de prisão. Já o crime de posse pode resultar em até 20 anos. As duas acusações também podem levar à supervisão após a prisão por toda a vida e multa de até US$ 250 mil. A pena definitiva será determinada pela juíza com base nas leis federais e nas diretrizes de sentenciamento dos Estados Unidos.
Por ser cidadão brasileiro, Tavares Da Silva também está sujeito à deportação após o cumprimento da pena que vier a ser determinada pela Justiça americana.
A investigação contou com a participação do Homeland Security Investigations (HSI), do Departamento de Polícia de Milford e da Polícia Estadual de Massachusetts. A promotora federal assistente Kristen M. Noto, do escritório de Worcester, conduz o processo.
O caso integra o Project Safe Childhood, iniciativa criada pelo Departamento de Justiça em 2006 para reunir recursos federais, estaduais e locais no combate à exploração e ao abuso sexual de crianças, incluindo a identificação e o resgate de vítimas.
Comunicado oficial do Departamento de Justiça dos EUA: https://www.justice.gov/psc





