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Revista Brazilian Times # 86
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Brasileiro desiste de processo imigratório após meses em detenção e pressão do ICE durante ofensiva de deportações na Flórida

Para Lourival, agora resta esperar. Enquanto tenta reorganizar a vida no Brasil, ele aguarda que sua petição — baseada no casamento com cidadã americana — seja aprovada para que possa reencontrar a família e reconstruir a rotina que levou mais de 20 anos para estabelecer nos Estados Unidos.


O brasileiro Lourival Paulo da Silva, que viveu por mais de duas décadas nos Estados Unidos, tornou-se um dos rostos mais emblemáticos da nova fase de endurecimento nas políticas migratórias sob o governo do presidente Donald Trump. Detido em setembro na Flórida, ele acabou desistindo de seu processo de regularização após semanas sob condições consideradas degradantes, pressão psicológica e o risco de permanecer preso por meses enquanto aguardava decisão judicial.

Casado com uma cidadã americana e em processo de legalização, Lourival foi levado para diferentes unidades de detenção, incluindo o remoto acampamento Everglades — conhecido entre advogados e imigrantes como “Alligator Alcatraz” devido ao isolamento extremo e às condições adversas. Ali, segundo relatos da família, ele adoeceu, testou positivo para tuberculose e enfrentou um ambiente que descrevem como “desumano” e “inviável”.

Diante da deterioração física, do medo de uma detenção prolongada e das ameaças indiretas de consequências mais severas caso resistisse à deportação, Lourival decidiu pedir saída voluntária, uma alternativa que permite ao imigrante deixar o país por conta própria e preservar a chance de retornar legalmente no futuro. A decisão foi homologada por um juiz de imigração, e ele embarcou para o Brasil no dia 10 de outubro.

Hoje, em Belo Horizonte, Lourival tenta se readaptar à vida no Brasil após mais de 20 anos fora. Segundo sua enteada, Karina Botts, a situação tem sido difícil. Sem vínculos profissionais ou sociais estabelecidos no país de origem, ele vive um período de incerteza enquanto aguarda a análise de um visto baseado em casamento, que pode permitir seu retorno em 2026.

“Ele estava muito debilitado. A detenção, a doença e o medo de não sair dali acabaram pesando. Aceitar a saída voluntária foi a forma que encontrou de sobreviver”, disse Botts em entrevista à Reuters.

O caso de Lourival não é isolado. Advogados e organizações de direitos dos imigrantes relatam que um número crescente de brasileiros tem desistido de casos ativos por conta da combinação entre detenções prolongadas, pressão psicológica, risco de separação familiar e a possibilidade de serem enviados para terceiros países, um recurso que voltou a ser usado pelo governo Trump.

Dados do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC) indicam que as saídas voluntárias concedidas a imigrantes detidos aumentaram mais de cinco vezes em 2025 na comparação com o mesmo período do governo anterior.

Para Lourival, agora resta esperar. Enquanto tenta reorganizar a vida no Brasil, ele aguarda que sua petição — baseada no casamento com cidadã americana — seja aprovada para que possa reencontrar a família e reconstruir a rotina que levou mais de 20 anos para estabelecer nos Estados Unidos.

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